Discursos de Lançamento

Discurso do DiogoDiscurso do Ricardo
Boa tarde a todos!

Quando comecei a escrever o Esquecido, a ideia de que tinha é que seria o livro mais curto que escreveria. Que seria um drama, com uma forte
componente de romance. Uma história delineada.
Agora, claramente que vejo que não fui bem-sucedido.

Sempre que tenho uma história em mente, sei o seu destino. O seu
princípio, meio e fim. Contudo, quando comecei a escrever a história do Duarte, estava longe de imaginar que a sua vida, iria influenciar a
minha própria vida. De como aquele rapaz que apareceu da minha
imaginação, que sofreu com um pai violento e com uma paixão pela
música, iria ter um impacto tão grande no meio e fim da história que
estava a escrever.

Foi nesta altura que percebi o género do livro que estava a escrever.
Muito mais do que o drama que tinha pensado. Muito mais que o
romance que é diferente de tudo o que já escrevi. Não. Eu não podia
classificar tudo o que este jovem passou, num único género literário. E
por mais que thriller seja a palavra certa, há outra que nunca me saiu da cabeça: vida! Eu estava, literalmente, a escrever um livro sobre a vida.

Não poderia ser há toa que os meus leitores-beta choravam por diferentes momentos do manuscrito inicial, mas pelos mesmos motivos. Não era à toa que eu próprio o fazia, ao dar por mim a pensar o que seria esquecer dos meus colegas, amigos, a minha família. A minha mãe, o meu pai,o meu irmão.


Até mesmo das pessoas que não estão aqui presentes e que me moldaram… Sendo eu pequeno na altura, não fui ao funeral do meu avô. Algo que me entristece. Todavia, com a presença do Duarte na minha vida, à medida que escrevinhava a sua história como se um Deus fosse, consegui eu fazer esse meu luto, aprendendo com ele à medida que ele próprio passava por um novo processo de crescimento. Tudo isto para vos dizer que podem esperar um thriller cheio de emoções, em que se vão deparar com uma personagem densa, e com mais coisas em comum com cada um de nós, do que aquilo que poderíamos acreditar.
Claro está que o Esquecido é sem dúvida muito mais daquilo que vos estou a dizer. E só espero que não fiquem muito chateados comigo com o final.
Porque a questão é simples: sem memórias, cada um de nós, não é nada. São elas que fazem de nós quem somos. Que nos alimentam. Que nos fazem rir, chorar, amar, horrorizar entre todas as outras emoções que se situam no meio desses sentimentos presentes nas nossas vidas. E são estes sentimentos que vocês irão encontrar na vida de Duarte. Vão encontrar um jovem, quatro anos depois dos acontecimentos traumáticos da sua infância, que conseguiu restruturar a sua vida. Mas até essa restruturação tem um preço quando um acidente de viação lhe vitima quatro anos de memórias. Em que Duarte se apercebe de que ele é a sua própria batalha.


Por isso a pergunta que vos lanço, em jeito de desafio é: quem seriam vocês, sem quatro anos de memórias?
Bem, já que estou aqui a ler também aproveito para falar um pouco sobre o livro e também sobre o Diogo.

Conheço o Diogo já há quase 6 anos e meio e a escrita foi desde o início algo que nos uniu. A ele por ser o refúgio e por querer viver no mundo da imaginação e a mim por ser a única forma de conseguir realmente libertar-me. A nossa paixão pela mesma escritora, pelo mesmo género de livros, pelas histórias e personagens em si é algo que sempre
falamos e acaba por ser por causa disso que o admiro.

O Diogo consegue realmente acabar aquilo que ele diz que vai fazer. Ele disse que ia conseguir ter o Esquecido publicado e conseguiu! Agora falando um pouco sobre a obra em si. Esquecido é daqueles livros que ou se gosta ou se gosta.

A personagem do Duarte embora pareça fragilizada é mesmo o foco central de toda a história e a acompanhar isso temos o cérebro a desempenhar um papel super importante! Lembro-me das horas a discutir com o Diogo se isto ou aquilo estava bem. Lembro-me dos inúmeros documentos e rascunhos com pedido de verificar se Estava bem e adicionar algum comentário útil. E sabe sempre bem ter uma personagem baseada em ti.

Por isso Diogo, dou-te os meus parabéns. Parabéns por conseguires. Parabéns por lutares por aquilo em que acreditas e boa sorte!