Sim, também eu tenho manuscritos cancelados ou em pausa

Tem sido comum, com um publicar quase que anual de histórias online ou em livro, os meus leitores acreditarem que tudo o que escrevo decido publicar. Pois bem, isso não poderia ser mais errado e, hoje, venho quebrar esse mito ao refletir outras coisas pelo meio. Curiosos? Apertem os cintos.

Perdida

Muito antes de publicar o meu romance, O Bater do Coração (2014), aventurei-me a escrever um livro de literatura fantástica (2011). Tendo como cenário um mundo de anjos, muito inspirado pelo que lia na altura e no que as editoras editavam, escrevi a história até chegar ao ponto em que a mandei para algumas casas editoriais. Na altura ninguém respondeu e, apesar de ter ficado triste, meses mais tarde senti-me feliz por tal nunca ter acontecido. Esta história acabou por ficar “perdida” pelo meu disco externo e não voltei a olhar mais para ela.

Uivares

Quando publiquei O Bater do Coração, em 2014, estava já há coisa de dois anos (2013-2015) a escrever esta história. Novamente na literatura fantástica, foram os lobos que me levaram ao manuscrito desta história escrita em duas partes. Planeada para ser uma trilogia, quando a estava a rever dei por mim a compreender como não estava satisfeito com a qualidade da escrita. Apesar de existir um avanço relativamente ao meu romance, a introdução dos testes intermédios e exames nacionais na minha vida, veio complicar tudo e acabei por abandonar o projeto. Este é outro dos manuscritos completos guardados na gaveta.

Ideias, ideias e mais ideias

Ao longo dos anos, e durante e após o Esquecido (2018), tentei diversos projetos com ideias que me iam surgindo. Ideias estas que tanto roçaram um mundo à beira de uma invasão zombie, como um romance erótico e uma história de terror para o Instagram. Sendo ideias repentinas, acabei por nunca as concluir e, honestamente, encaro-os como projetos completamente cancelados.

Foram maus projetos? Não. Sempre me motivei criativamente e, mesmo que a ideia de cada um não tenha surtido o efeito que quis em mim mesmo, motivou-me e levou-me a crescer.

O Último Desejo | O Primeiro Presente

Muitos não sabem, mas após escrever O Bater do Coração, quis escrever a história de uma das personagens que, prematuramente, morre. Ainda cheguei a escrever algumas páginas, mas o Esquecido acabou por tomar o seu lugar e abandonei a ideia.

Outro dos projetos que nunca viu a luz do dia, ou de uma página Word, foi O Primeiro Presente, uma história sequela de “P.S.: Ficas Comigo?”. Cheguei a criar uma capa e, tendo tido como data de lançamento o natal 2017, os trabalhos académicos acabaram por retirar-me a vontade.

O Que Nos Magoa e o Conto Cancelado

Sim, O Que Nos Magoa iria ter um conto natalício a ser distribuído via e-book oficial. Acontece que a ideia não encontrou os alicerces necessários e acabei por não a levar para a frente. Se a descarto, longe disso. Mas foi mais um projeto que ficou pelo caminho. Um que, sendo honesto, deu-me tempo para terminar o Dislike.

O meu próximo livro não seria “o meu próximo livro”

Tem sido comum dizer aos leitores que tenho um livro na parede e, sim, é verdade. Na minha parede do escritório tenho um conjunto de autocolantes a respeito de um romance “new-adult”. A história está amplamente planeada e, com diverso trabalho de campo feito, acabei por dar conta que um dos elementos da história teria de ser retirado para bem da mesma. Contudo, numa altura onde as ideias fervilhavam, dei por mim a perceber que não me sentia capaz de contar essa história no momento e acabei por a arquivar e começar o Dislike.

O que quer tudo isto dizer?

Esta publicação tem um propósito muito grande. O de mostrar e demonstrar que um projeto cancelado não invalida que deixemos a nossa paixão. Ademais, o de que não é uma ideia menos boa que nos vai fazer perder tempo no passado ao ponto de não nos fazer avançar no futuro. Não existe nenhum mal em demorar a publicar, da mesma forma como não tem qualquer mal arquivarmos ou descartarmos projetos, mesmo que estes nos digam muito. A escrita é isto. É este processo de crescimento e de sabermos avançar. De mostrar até ao próprio mercado e eventuais editores, que vamos experimentando outras coisas.

O fator idade e maturidade também se revelaram elementos-chave em algumas decisões, já que era comum sentir bloqueios enormes que levavam a um desespero que me faziam desistir de um projeto. E isto “é ok”. Não há mal, desde que saibamos viver com isto e de perceber a forma como, num determinando momento da nossa vida, não estamos preparados para dar certos passos.

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