Como sei que carreira literária seguir?

Vocês sabem que adoro introduções e é isso que vos quero fazer antes de mergulhar nesta longa (e importante) publicação. Para quem não sabe, há coisa de dois anos comecei uma das rubricas mais assíduas no blogue: O Caderno do Diogo. Falei do processo de escrita, de edição, publicação e até de o que acontece após se publicar um livro.

Amei essas publicações e aquilo que elas me levaram a pensar e refletir. Mas havia algo que faltava. Uma promessa que vos fiz e que, infelizmente, não consegui na altura colocar em prática como queria. Era difícil, era complexo. Tinha medos e receios de não o fazer da forma correta. Agora, anos depois, chega finalmente o Mapa de Publicação em Portugal que sempre quis fazer!

Estou animado. Sei que tenho muito para escrever aqui, mas existe algo que tenho desde já dizer: apesar de não indicar em todas as publicações, torna-se sempre implícito de que em qualquer publicação que faça de escrita – salvo quando mencionado -, refiro somente o trabalho com e das Editoras Vanity e não das Editoras Tradicionais! O mesmo irá acontecer aqui e isso será, logicamente, explicado.

Como sei que caminho seguir enquanto autor?

Já falei disto em algumas publicações, mas as incertezas ainda existem. As dúvidas de como publicar, mas ainda mais importante: o porquê. O propósito e onde queremos chegar!

Um livro é muito mais que um objeto. São mais que folhas e uma capa lustrosa. Um livro é trabalho. É algo que independentemente do seu conteúdo, irá ficar para sempre no registo – quer este seja da internet, quer das bibliotecas nacionais. Se um livro é isto tudo, as decisões que tomamos têm de acompanhar este propósito. Com isto, importa perceber desde já se queremos “publicar por publicar” ou se queremos “publicar” para construir, gradualmente, uma carreira literária.

Publicar por/com uma Editora Vanity custa dinheiro e, infelizmente, nem sempre dá o prestígio que o autor quer, precisa ou necessita. São diversos os autores a querer publicar livros somente para familiares e amigos mais próximos, tal como são aqueles que querem começar somente pelo gosto em escrever e publicar online para, à medida que forem crescendo, se atrevam noutros formatos de publicação. Eu fiz assim, e posso dizer com grande “acreditar” que muitos autores também trilharam este caminho.

O que me devo perguntar?

Este “fazer” não foi bem consciente, mas foram diversas as perguntas que fiz e que me ajudaram a ter confiança no caminho que escolhi:

  1. Porque quero publicar?
  2. O que quero alcançar?
  3. Como quero vender e ter o meu livro distribuído?
  4. Eventos literários são importantes para mim?
  5. Lojas literárias online são importantes para o meu percurso?
  6. Tenho experiência em marketing, revisão, paginação, edição ou em áreas financeiras e legais?
  7. Compreendo as oscilações do mercado literário (e editorial)?
  8. Quero gastar dinheiro? Quanto? Como? Porquê?
  9. Que relação quero ter com a minha Editora/Leitores/Mercado?

Tenho plena consciência de que existem mais perguntas e variantes das mesmas, mas estas são aquelas que rapidamente me saltam à memória quando uma decisão tão importante como a de publicar um livro aparece. Mas se respondemos a elas, quais são as nossas verdadeiras alternativas? Porquê?

As diferenças!

Ao vivermos em democracia e num mercado concorrente em plataformas e objetivos, quem sai a ganhar é o autor e leitor. Existe um maior acesso a oportunidades, ferramentas e, claro está: diferentes formas de trabalhar. Neste último ponto está algo de extrema importância e que obriga a que um autor saiba o que quer para o seu livro por forma a saber que caminho há de seguir.

Publicar Gratuitamente

Acredito que esta seja a forma mais conhecida, mas, ao mesmo tempo, aquela que muitos se esquecem de que existe. Quais são as formas de publicar que entram nesta categoria? Pois bem, pode ser desde algo tão simples quanto a uma rede social, até aos blogues, à rede Wattpad e, quiçá, a própria disponibilização de e-books de uma forma gratuita.

Como devem imaginar, o trabalho envolvido é sempre o mesmo. O cuidado que temos de ter a cada detalhe tem de ser tido em conta e nunca nos podemos esquecer que estaremos a criar sempre uma impressão a quem nos está a ler. É importante assim perceber o que queremos alcançar, qual o nosso material “publicável” e saber-se quais as áreas em que teremos de nos formar.

O ir mais além

Quando queremos publicar um livro é porque existe algo que já foi fomentado. Não acredito que a ideia de publicar caia do céu e que apareça sem algum trabalho prévio. Quer seja a escrever anonimamente, em privado ou pela internet, vai chegar a altura onde um livro vai ser o culminar de um trabalho.

Sabemos que publicar é desafiante e difícil, daí a necessidade de se perceber onde queremos chegar e as verdadeiras diferenças existentes entre os métodos de publicação disponíveis no nosso país. São diversas as formas, mas aquilo que mais tenho percebido é que por mais que uma editora Vanity seja, em muitos casos, a última escolha, pode ser ela a abrir portas sem fim.

A publicação independente também surge aqui. Quer seja publicar de forma independente com um livro ou por um e-book, existem diversos métodos para conseguirmos ter o nosso livro no mercado. As vantagens são enormes, especialmente no controlo que o autor pode ter, mas não podemos esquecer as responsabilidades crescentes.

Um dos pontos que se torna complicado é a distribuição e, sendo algo que refiro no infográfico, achei por bem dar mais informação no caso de quererem saber o que é necessário para ter um livro independente na Wook. Com base no que falei com o autor David Costa e com a informação que ele me conseguiu dar, um livro à venda na marketplace da Wook aparece na listagem normal – ou seja, sem qualquer distinção. Todavia, os livros não entram nas campanhas de descontos da plataforma. E existe comissão de loja? Vejamos:

Se o PVP do livro for de 15€, quanto é que a Wook pagará por cada livro ao autor? WOOK: 15€ x 0,15 = 2,25€ + 0,50€ = 2,75€ + IVA = 3,38€

Ou seja, o valor a pagar ao vendedor será 15€ – 3,38€ = 11,62€

E as editoras? O que penso delas?

Para terminar este ponto editorial penso que tenho de me focar na pergunta que mais quero responder a mim mesmo: o que penso das editoras? Bem, foi como vos disse: qualquer meio de publicação permite alcançar um lugar. Quer este lugar seja um estado mental, uma realização, ou um marco de percurso editorial, ainda acredito que é pelas editoras que algum deste caminho se torne mais exequível por conta da abrangência que as mesmas conseguem ter. É o livro poder até não chegar a todas as livrarias, mas é o ter uma press-release enviada a diferentes meios de comunicação e espaços comerciais. É conseguirem estar em eventos como as Feiras do Livro ou em promoções que, por vezes, na edição de autor podem ser difíceis de fazer por eventuais custos que podem ter acrescidos de publicidade.

Quer isto dizer que só elas são válidas? Não! TODO E QUALQUER MEIO DE PUBLICAÇÃO É VALIDO (desculpem as maiúsculas), mas torna-se extremamente importante perceber realmente o que queremos alcançar e não esquecer também a forma como os nossos leitores poderão interpretar as nossas mudanças. Ademais dos leitores, importa não esquecer que pode haver agentes literários atentos ao nosso percurso e à imagem que estamos a passar e construir. O importante? O honrar os nossos valores, a nossa história e, no fim, o que queremos contar e passar.

Tudo tem um custo

É dos pontos mais importantes, mas qualquer que seja a nossa forma de publicação, há custos. Muitos são invisíveis aos olhos dos leitores (como o tempo “gasto” a escrever, A TRABALHAR, a pensar, sofrer, pesquisar, rever, etc.), mas publicar de forma independente implica ainda mais tempo e recursos na preparação do nosso material para o grande público. Estes recursos, quer humanos, quer monetários, poderão ser grandes. Todavia, numa Editora o mesmo acontece. É certo que não iremos ter de pensar em grafismos ou até no marketing editorial, mas ainda poderemos ter de pagar parte da edição ou de até gastar dinheiro a promover nas redes sociais.

Escolher o nosso percurso não é fácil, mas importa não esquecer a nossa voz, a voz da história e, em última instância, construir uma balança com todos os fatores alvos de consideração. O nosso trabalho merece essa consideração.

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