O encerrar de um capítulo

Faz hoje uma semana que concluí algo que, para ser sincero, nunca fora capaz de perspetivar. Ou melhor: sempre soube que iria ter de defender a minha dissertação de mestrado, mas perante tantos avanços e recuos, nunca pensei que o dia fosse realmente marcado e passado.

A ansiedade era alta, assim como aquela mistura com o medo do fracasso. A segunda-feira lá acabou por se desenrolar logo pelas 6:05 da manhã para ir trabalhar, para depois viver na tortura do que era esperar até às 14h30. Sabem o engraçado disto tudo? A hora chegou, os tremores apareceram e, depois passou. Assim, como que num piscar de olhos, a jornada que iniciei em 2018, terminou.

Não foi só “o mestrado”

Para os que não sabem, o mestrado deu-me uma nova vida. A sério, falo literalmente. Tive de mudar de cidade – de Leiria para o Porto -, para me instalar numa casa com o meu melhor amigo. Foram meses de autodescoberta, de dar graças à minha família por tudo o que me ensinou. Algo que me permitiu conseguir lidar com a vida independente. Com o crescer. Com as saudades que apertavam, mesmo quando pareciam não existir.

Nestes três anos de mestrado ultrapassei assim não só este crescimento pessoal, como que me tive de desenrascar em unidades curriculares extremamente mal lecionadas e que me obrigaram (e aos meus colegas) a arranjar Instituições para desenvolver diversos trabalhos de campo. O primeiro ano foi assim extremamente cansativo e aventureiro. Sempre que ia a Leiria, tinha de despender de duas tardes para ir até Pombal e estar com jovens institucionalizadas. Foram meses até os trabalhos estarem concluídos e que, em última instância, deram-me alguma da ginástica que agora tenho.

Mas se o primeiro ano foi desafiante, o segundo trouxe o maior desafio de todos: a dissertação. Claro que isto até parece algo extremamente linear, mas não o foi. Foram anos em que quis desistir, anos em que me senti sozinho, e anos que abracei também novos projetos. Três anos em que ajudei o meu melhor amigo a superar o seu cancro, em que me voluntariei para dois projetos, em que publiquei um livro, terminei outro e o publiquei. Fui ainda ao Brasil descobrir a realidade social e, de forma surpreendente, acolhi um amigo de quatro patas. Como não soube estar quieto, fui renovando o blog, assim como escrevi uma série online interativa e um guia de escrita e publicação com editoras Vanity. A juntar ao arraial da vida, arranjei ainda o meu primeiro emprego. Um diretamente ligado ao meu mestrado! Esta aventura foi longe de linear, mas foi das melhores escaladas que fiz.

O findar, e o que representa

Ainda tenho de entregar a versão final da tese – espero fazê-lo amanhã -, mas já me sinto mais livre. Com energia para estar verdadeiramente dedicado ao que importa. Não só em termos pessoais, mas dos compromissos que assumi.

Por agora, estou a permitir-me usufruir deste tempo. De permitir-me a procrastinar e dar-me um descanso há muito preciso. Mas também para definir melhor o que quero fazer. Que projetos devo abraçar de corpo e alma e aqueles que, por agora, precisam somente de uma “tapadinha nas costas”.

O meu manuscrito

Este é, sem dúvida, aquele projeto que de mim mais irá exigir. É aquele que já comecei a pegar a um ritmo normal ao ponto de realmente acreditar que o vá concluir no mês que idealizei. Tem-me dado um gosto tremendo e estou deveras orgulhoso com o percurso de autocrescimento que tenho feito com a história. Atrevo-me ainda a dizer que estou igualmente a pensar no que virá depois da sua conclusão e de todo o trabalho que irá acontecer.

O voluntariado e a minha página de Facebook

Enquanto autor, os últimos meses foram desleixados da minha parte no que toca à promoção do meu próprio trabalho. O facto de ter tido O QUE NOS MAGOA esgotado por quase um mês também não ajudou, mas isso irá mudar. Nas próximas semanas tenciono voltar ao esquema normal de publicações, algo a ser seguido nas páginas online de que faço voluntariado.

O blog

Tenho tido imensas saudades de aqui escrever. Na verdade, tenho ainda num caderno mais de vinte ideias de publicações diferentes para escrever. Mas estou cansado. E após perceber a quantidade de publicações que escrevi o ano passado, percebi que acabar a minha história é, e será sempre, o mais importante. Mas não desanimem, espero poder tirar um dia da semana para, pelo menos, escrever uma publicação. Uma delas, é esta!

O que tudo significou

Tenho o título de Mestre, mas sendo sincero, não me sinto como tal. Quero dizer: se a realidade social está em constante mutação, como posso esperar que o que aprendi não esteja também num confronto direto com a evolução e globalização?

Sem dúvida de que o que mais retirei de toda esta jornada, foi como mesmo que os meus estudos tenham terminado, irei estar sempre em busca do conhecimento. Do aprender. De não me fazer valer de um título quando, todos os dias, o renovo.

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