Highlights de O que nos Magoa #6 – Escrever do 14º. ao 16º. Capítulo

Tendo começado uma visita guiada à escrita de algumas passagens de O QUE NOS MAGOA, nesta quinzena iremos mergulhar mais nas relações e na forma como as personagens as sentem face ao passado.

Highlights de O que nos Magoa” é uma rubrica quinzenal da qual reflito como foi escrever certas passagens da história. Curiosos?

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A seguinte publicação é um ramo da rubrica “Por Detrás d´O que nos Magoa“. Este segmento poderá incluir detalhes e segredos da narrativa para aqueles que ainda não leram a história.

——Capítulo 14 ——

“Não me atrevia a pedir uma visita à casa. Seria, de todo, descabido. Mas era fácil imaginar como o piso de cima em tudo deveria ser semelhante à dedicação que via entre esta família. Uma dinâmica única, genuína. Poderiam não estar constantemente a sorrir, mas os seus olhares faziam-no com frequência. As posturas também poderiam indicar muito numa pessoa, e aquela mantida por César e Ana, não era exceção. Era como se sempre tivessem sido feitos um para o outro ao dançarem habilmente pela cozinha. E, entre móveis e gavetas que abriam e fechavam, como se música fosse, pensava se os meus avós teriam sido assim. Antes da doença ter destruído quase o que restava à minha avó e, também, avô…”

Notas: Esta entrada foi introduzida no manuscrito final e na história após o feedback dos meus leitores-beta que me pediam por mais do ponto de vista de Daniel em relação à vida de Francisca. Foi até, com bastante delícia, que atendi ao pedido lógico e fiz a personagem masculina refletir em como a sua realidade é tão distinta da pessoa que ama. Algo verídico, que acontece na nossa sociedade, e que por vezes fechamos os olhos.

——Capítulo 15 ——

“A minha mãe levava tudo na descontração, pela boa média que fora obtendo ao longo dos anos. Mas para mim, a vida universitária não era baseada num número. E eu queria, desesperadamente, encontrar alguma coisa que soubesse ser a minha vocação.”

Notas: Dos parágrafos que mais gosto na história. Não pela sua “elaboração escrita”, mas por ter sido uma forma de apontar para o que os jovens sentem: de que são números no mundo educacional e onde as suas opiniões e vocações pouco importam.

Francisca lida assim, de forma palpável, com a ansiedade de perceber o que quer fazer com tudo o que alcançou com o estudo. Uma escolha muitas vezes sôfrega e solitária dos jovens, assim como, em alguns casos, quase que obrigada por parte dos agregados familiares.

” – Tens a tua avó. – tentei, com medo de que o destino desta conversa tivesse já ficado traçado.

– Não é, de todo, a mesma coisa. Não no meu caso!”

Notas: Dos diálogos mais marcantes da história, onde Francisca confronta Daniel com aquilo que ela toma como certo da sua realidade. Em troca, esta recebe um choque normativo-comportamental, compreendendo que dentro da mesma cultura, do mesmo país, cidade, podem existir realidades extremamente opostas.

“Estiquei os braços, procurando encontrar o calor de Daniel, mas este recuara, estupefacto pelo meu discurso. Eu própria estava incrédula. Mas percebia o porquê de o ter dito: porque queria, desesperadamente, que ele saísse da sua vida com contacto com a droga, para abraçar os seus avós, que tinham cuidado dele…”

“- Pensava que me compreendias. Desde aquela vez nos teus anos em que dançaste com eles. Julguei-te diferente! E fui parvo ao ponto de me apaixonar por ti. Como te mexias. Mesmo magoada. Pensei que compreendias… – Chorava, não se inibindo das suas palavras cheias de mágoa. – Tudo o que eu queria era uma família, e parece que aos teus olhos, não a poderei ter!”

Notas: Francisca procura, a todo o custo, fazer com que aquela que é a sua primeira paixão (ainda não assumida) saia da vida delinquente que leva, sem perceber por completo que as redes de apoio que Daniel tem não são comparáveis à de outros rapazes – ou até mesmo dos seus amigos.

——Capítulo 16 ——

“E era esse, o seu olhar cansado, que mais me doía. Por saber que todo aquele desgaste poderia ser minimizado se tudo fosse normal. Se eu fosse normal. Se os meus pais fossem normais. Se a vida fosse normal!”

Notas: Do que mais gosto em escrever sobre dois pontos de vida distintos é dar ao leitor duas dimensões da mesma realidade. Daniel serve como antagonista daquela que é uma realidade quase que camuflada e esquecida pelas nossas políticas sociais, onde a culpa, estigma e medo fazem com que o sofrimento seja elevado.

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Anteriores: Highlights de O que nos Magoa #1 – O Prólogo | Highlights de O que nos Magoa #2 – O 1º Capítulo |Highlights de O que nos Magoa #3 – Escrever do 2º ao 5º Capítulo | Highlights de O que nos Magoa #4 – Escrever o 6º Capítulo | Highlights de O que nos Magoa #5 – Escrever do 7º. ao 13º. Capítulo

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