Highlights de O que nos Magoa #5 – Escrever do 7º. ao 13º. Capítulo

Tendo começado uma visita guiada à escrita de algumas passagens de O QUE NOS MAGOA, nesta quinzena iremos mergulhar mais nas relações e na forma como as personagens as sentem face ao passado.

Highlights de O que nos Magoa” é uma rubrica quinzenal da qual reflito como foi escrever certas passagens da história. Curiosos?

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A seguinte publicação é um ramo da rubrica “Por Detrás d´O que nos Magoa“. Este segmento poderá incluir detalhes e segredos da narrativa para aqueles que ainda não leram a história.

——Capítulo 7 ——

No início foi tudo muito bonito. Eu achara que era uma espécie de férias. Mas o tempo foi passando, e o olhar daquela criança que passava os dias à janela na esperança de ver o seu pai regressar, ia ficando sem vida.” – Capítulo 7

“Mas se diziam que os amigos eram a família que escolhíamos, aos meus nove anos, apercebera-me de como isso era a mais pura das verdades.” – Capítulo 7

Notas: Daniel foi das personagens que mais amei criar. Não só por me permitir colocar no lugar de quem passa por este estigma de família disfuncional ou atípica, para alguém cujos amigos são pessoas de outra etnia, escrever a sua história, o seu passado, conseguiu levar-me às lágrimas.

Neste capítulo, percebemos como a personagem, apesar da tenra idade, desenvolveu um pensamento crítico e identitário face à vida sôfrega que sempre levou. Foram diversas as vezes em que me debati com a própria escrita destes momentos, já que acreditava que muitos leitores pudessem não compreender como alguns jovens crescem mentalmente mais rápido que outros.

Por isso, perguntava-me vezes e vezes sem conta, de como alguém olharia para mim, sabendo tudo o que carrego. Será que carregariam esta bagagem comigo?” – Capítulo 7

“Ela nunca me iria amar, pois não?” – Capítulo 7

Notas: Para alguém que nunca conheceu o verdadeiro amor ou o carinho – mesmo Daniel tendo avós que fizeram por cuidar dele -, do que mais gostei de criar foi a perceção clara ao leitor de como as personagens são, e reagem, de maneira completamente diferente face ao “amor”. Não é ao acaso que Daniel, desde cedo, utiliza sem medo a palavra “amor”. Já Francisca, na sua busca de identidade e auto-descoberta da adolescência, conhecendo desde cedo essa emoção – por conta dos primeiros capítulos em que ela conta como era viver com a sua mãe -, pensa antes no sentimento de “gostar muito”.

——Capítulo 9 ——

“A destreza da minha mãe fora o que me permitira, desde sempre, enfrentar tudo na vida. Mesmo esta crise de identidade que enfrentava agora, sabia que com ela por perto, tudo se iria resolver. Ela era o meu pilar. Um que não trocava por nada deste mundo.” – Capítulo 9

Notas: No Capítulo 9 temos uma nova perspetiva do que era o sentimento de amor para Francisca, nascido pelo sentimento de proteção e cuidado.

“- Digamos que a vida me chegou para poder dispensar um curso desses. – Confessou ele, enigmaticamente.” – Capítulo 9

Notas: Confesso que quando estava numa das múltiplas revisões do manuscrito, ponderei em tirar esta frase. Poderia suscitar dúvidas ou, inclusive, dar a perceção de que tinha deixado algo “a meio”/”por escrever”. Como a mesma aprece de forma tão natural para Daniel, escolhi mantê-la. Esta segue assim a função de presságio e de criar enigma para o que Francisca iria a descobrir mais tarde…

——Capítulo 11 ——

“Namorada… Ainda não me habituara ao som da palavra quando esta era aplicada à relação da minha mãe. Porque, e verdade seja dita, a nossa sociedade está pura e simplesmente formatada para palavras que, por si só, deveriam de formar uma ordem. Uma ordem restrita. Quem se desviasse dessa “ordem”, era como que olhado de lado. Tal e qual uma receita de cozinha. Ou a seguíamos, para obtermos algo bom, ou aventurávamo-nos. Misturando ingredientes que não eram supostos. Uns obtêm um bom preparado, outros, simplesmente, precisam de mandar vir umas pizzas após a tentativa falhada.” – Capítulo 11

Notas: Em O QUE NOS MAGOA retratar as famílias monoparentais surgiu no meio da necessidade de desenvolver a personagem Francisca e maturar a história. Foi assim, sem surpresas, que escolhi refletir com a personagem e os leitores, como a nossa sociedade impõe tabus e representações sociais incorretas. Estamos tão formatados para pensar que a vida se processa da maneira X, que quando aparece a variável Xa, as pessoas entram em pânico. Sendo Francisca uma leitora ávida, estes pensamentos surgem não só como reflexo da sua vida, mas por aquilo que a literatura a ensinou a refletir.

——Capítulo 13 ——

“Perguntava, ao mais ínfimo do meu ser, se seria realmente possível. Se seria realmente possível estar a gostar de alguém. A gostar dele!” – Capítulo 13

Notas: Francisca demonstra pela primeira vez o seu dilema e a forma como a mesma tem receio de pronunciar a palavra “amar”. Não só tal é potenciado pelo seu desenvolvimento e a incompreensão total que tem da palavra, como tal é ainda estimulado pelo casamento fracassado em que nasceu. Quando juntamos estes dois pilares a alguém que consumia diverso conteúdo literário e audiovisual, estamos na presença de uma personagem com a consciência do poder da palavra “amor”. Foi das características que mais gostei de criar, mesmo tendo a perceção que muitos leitores poderão não reparar.

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Anteriores: Highlights de O que nos Magoa #1 – O Prólogo | Highlights de O que nos Magoa #2 – O 1º Capítulo |Highlights de O que nos Magoa #3 – Escrever do 2º ao 5º Capítulo | Highlights de O que nos Magoa #4 – Escrever o 6º Capítulo

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