Highlights de O que nos Magoa #4 – Escrever o 6º Capítulo

Após o que foram semanas trabalhosas do meu lado, está na altura de retomar as higlights do que foi escrever O QUE NOS MAGOA. Nesta semana irei analisar a fundo o 6º capítulo. Um momento do livro em que a protagonista Francisca lida com diversas crises de identidade, onde espera que o passado não seja doloroso.

Highlights de O que nos Magoa” é uma rubrica quinzenal da qual reflito como foi escrever certas passagens da história. Curiosos?

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A seguinte publicação é um ramo da rubrica “Por Detrás d´O que nos Magoa“. Este segmento poderá incluir detalhes e segredos das narrativa para aqueles que ainda não leram a história.

——Capítulo 6 ——

“Será que todos os homens eram assim, como o Daniel?  O Gonçalo não era. Era atencioso. Carinhoso. E sabia muito bem que não era por ser gay. Sabia que os homens poderiam ser assim. Seria assim o meu pai?” – Capítulo 6

Notas: Em O QUE NOS MAGOA são diferentes os tipos de relações que os protagonistas têm contacto. Foi com estas histórias secundárias que me deliciei ao perceber como a jovem Francisca olharia para o seu meio e interpretasse a sua situação. Quer com a comparação e análise do “típico comportamento do sexo masculino”, a uma relação homossexual e a de uma família monoparental, foi com satisfação que fiz a protagonista questionar a forma como perceciona o seu presente com base nos traumas do seu passado.

Obviamente que não falo de um trauma físico, mas da incerteza de que a Francisca tem ao nunca ter experienciado uma relação dita de “modelo” ao longo do seu crescimento. Tendo o seu pai abandonado a mãe, a incerteza do funcionamento de uma relação é grande, o que causa tormentos e perguntas a qualquer jovem em crescimento.

“Chorara noites a fio, sozinha, no meu quarto sem ninguém saber. Com isso cresci. E fui-me moldando.” – Capítulo 6

Notas: Tal como em capítulos anteriores, neste capítulo existe a ênfase dada ao espaço físico quarto como porto de abrigo. Aliado a isto, o conforto do jovem se abrir para “ele” e expor as suas fragilidades. É das frases que mais gosto na história.

– Ahhhh! – exasperei, para o quarto solitário. – A minha vida depois de ti é tão, mas tão complicada.” – Capítulo 6

Notas: Se no momento anterior vos indiquei aquela que é das frases que mais gosto na história, esta citação é das mais importantes da mesma. Não só tem pistas do que era o título original do livro, como demonstra a constatação clara de como vivemos em sociedade e a entrada de uma pessoa na nossa vida, por mais insignificante e não planeada que seja, tem impacto no nosso percurso futuro.

Francisca está claramente num momento dramático e que se vai juntar às incertezas do seu passado e do que é o desenlace de uma relação. Não obstante o dramatismo, existe ainda um certo humor distorcido e que me ajudou na construção da personagem.

“Medo. Era o que tinha. Forjado pelo que fora acreditando ao longo da vida, de que uma relação nunca resultaria. Que o fim, seria sempre o divórcio. Aliado ao medo, construí a minha armadura, e nunca me permitira verdadeiramente a amar alguém. Quando o Daniel me beijou, foi como se ela se derretesse. Como se o medo simplesmente se intensificasse para, na verdade, dar lugar a algo bom. Magnífico.” – Capítulo 6

Notas: Novamente, a confusão de Francisca elevada ao expoente máximo, ao procurar as típicas respostas de um adolescente que sente, pela primeira vez, atração física. Ainda acrescido a este facto, está a ideia do funcionamento, ou não, de uma relação. Do que é crescer numa sociedade onde o estigma associado ao divórcio e um novo casamento é ainda questionável. Aliado a estas ilações, acontece ainda Francisca ter crescido a sentir-se protegida na sua “bolha” (na infância), entrando agora em pleno na vida adolescente.

Valeria a pena, ao fim de tantos anos, recuperar o passado?” – Capítulo 6

Notas: O passado não tem de ser só nosso inimigo mas também um amigo, que nos leve a pensar o que aprendemos e poderemos ainda tirar das nossas vivências. Este capítulo foi dos últimos suspiros da protagonista referente à sua descoberta pessoal, levando a que este momento resuma quase que toda a história.

Enquanto autor, criar estas ambivalências e conflitos internos foi uma autêntica espiral emocional, em especial por tudo o que aprendi em O bater do coração e Esquecido. Ter este capítulo a manifestar o como a confusão interna de um adolescente pode ser levada ao máximo foi mais do que necessário para a comparação entre as realidades distintas de Francisca e Daniel.

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Anteriores: Highlights de O que nos Magoa #1 – O Prólogo | Highlights de O que nos Magoa #2 – O 1º Capítulo |Highlights de O que nos Magoa #3 – Escrever do 2º ao 5º Capítulo

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