Highlights de O que nos Magoa #3 – Escrever do 2º ao 5º Capítulo

Recordam-se de ter-vos dito que neste segmento não iria ter um capítulo por publicação? Pois bem, nesta nova quinzena está na altura de mergulhar ainda mais na história que vos dei em O QUE NOS MAGOA. Mas espera…, não sabes do que falo?

Highlights de O que nos Magoa” é uma rubrica quinzenal da qual reflito como foi escrever certas passagens da história. Curiosos?

Podem adquirir o vosso exemplar em: Cordel d´Prata, Wook, Bertrand e Fnac.pt.

A seguinte publicação é um ramo da rubrica “Por Detrás d´O que nos Magoa“. Este segmento poderá incluir detalhes e segredos das narrativa para aqueles que ainda não leram a história.

——Capítulo 2 ——

“O sofrimento parece sempre aumentar quando me rodeio destas quatro paredes. E se a cor carmesim deveria ter o poder de me apaziguar, nos últimos tempos tal não parece acontecer. Talvez pela tinta não conseguir mascarar as memórias presentes em cada fotografia pendurada. Eram elas que me recordavam de como este quarto me vira crescer ao longo destes anos e me acolhera. Parece parvo, eu sei. Mas sempre que tinha uma birra, ou discutia com alguém, o meu quarto era o meu refúgio.
Era nesta mesma cama, em que agora me sento, que dava por mim a chorar ou a suicidar-me em pensamentos que, posteriormente, se voltavam contra mim ao me mostrar o que de bom tinha na vida.”
– O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 2º Capítulo

Notas: O refúgio para um adolescente pode ser tudo. Com isto, e com base no que eu próprio vim a descobrir ao mudar de cidade para estudar fora, passar a forma como um jovem vê o seu quarto: como um refúgio, tanto pode ser algo de belo, como aterrador. Claro que não é propriamente o espaço, mas a noção do quão aquele espaço nos viu crescer. Como se moldou ao que fomos sentindo e crescendo. Quando escrevi este parágrafo não pensei muito na origem, mas acabei por perceber em como estava a projetar na Francisca algo por que tinha passado.

A suave batida na porta anunciava a chegada da minha mãe, visivelmente exausta do tempo passado a martelar no teclado em frente ao computador. O cabelo já lhe tombava novamente para os olhos, mas nem por um minuto deixava de admirar o como gostava de ser como ela. Com o seu rosto bem definido, e lábios arredondados, que apesar dos vestígios de um batom rosa há muito desgastado, conseguiam fazer antever a pessoa carinhosa que era.” – O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 2º Capítulo

Notas: A admiração que a Francisca tem pela mãe é fora deste mundo. O ter a perceção clara aos seus 17 anos de que, mesmo sendo uma família de constituição diferente, a mãe soube ser forte. Algo que ela própria procura diariamente ao não saber interpretar que caminho seguir.

——Capítulo 3 ——

“Perguntava-me como alguém tão novo poderia ter um peso tão grande sobre os ombros.” – O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 3º Capítulo

Notas: Talvez do grande mantra desta história e daquilo que mais quis passar: é muito fácil julgar, apontar o dedo; mas saber aquilo por que alguém está a passar, é algo que transcende. Teríamos de calçar por completo aqueles ténis para o perceber. Francisca, com tudo o que aprendeu com a vida e nos livros, ganhou uma capacidade de empatia que, ao ajudá-la em muitas situações, é também motivo para que sofra ao não se perceber a ela mesma – típico de adolescente, não é?

Francisca, ao ver em Daniel uma representação do que quer, mas evita, resulta num alerta de que há diferentes realidades e diferentes problemas. Foi dos momentos de introspeção que mais gostei de escrever – DE TODO O SEMPRE!

“A cena é esta: dançar nunca tinha sido a minha praia. Gostava. Apreciava. Mas esta dança com o corpo dele, fazia-me desejar ter aulas em que ele, mas só ele, fosse o meu professor.” O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 3º Capítulo

Notas: O que mais quis com “Francisca” foi ter uma personagem rica em conflitos internos de desenvolvimento. Mas adicionar doses de humor e sarcasmo em que a própria goza consigo, foi do que mais gostei. Este acabou por ser um desses momentos numa noite em que se percebe que o que mais queremos, nem sempre acontece.

——Capítulo 4 ——

“Se não estivesse já sentada, podiam acreditar que caía no chão. Sentia-me a explodir. Seria sequer possível? Ter-se ele aproveitado de mim? Aquele que alegara não me ter visto, para quando me avistara segundos antes da Polícia chegar, ter-me olhado como um farol que lhe presenteava com “a luz ao fundo do túnel”?” O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 4º Capítulo

Notas: A confusão é o que marca a primeira parte da história, com os protagonistas a aventurarem-se nas suas próprias trajetórias. Sendo estas influências das suas próprias escolhas e comportamentos, ter Francisca a sofrer de forma tão palpável num comportamento tão consciente que teve, revelou-se “motor” de arranque para a pessoa que se veio a tornar no final da história.

——Capítulo 5 ——

Será que os homens são assim todos? Estranhos. Complicados? De poucas palavras? Talvez sejam mais de ação…” O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 5º Capítulo

Notas: A incompreensão face ao sexo oposto e aquilo que são as expetativas relacionais também entram ao barulho, atiçando a protagonista para resolver muitos dos seus próprios conflitos. Em termos pessoais, deu-me especial gozo atribuir a Francisca das observações mais correntes da sociedade contemporânea: a generalização.

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Anteriores: Highlights de O que nos Magoa #1 – O Prólogo | Highlights de O que nos Magoa #2 – O 1º Capítulo

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