Objetivos, para que vos quero?

Estou a escrever-vos esta publicação dentro do carro, sob o olhar atento de um relógio que teima em andar mais rápido do que eu com os meus dedos gélidos deste frio inverno. Nunca pensei ter este tempo pré-trabalho para escrever, mas isto fez-me pensar numa coisa: em objetivos e o que queria de mim para este ano.

É muito frequente, quiçá mesmo: diariamente, perguntarem-nos quais os objetivos e aquilo que queremos alcançar com a entrada num novo ano. Este ano, porém, quando antigamente me perguntava o mesmo, percebi que tirando a minha tese e o meu novo e futuro livro, não tinha mais nada.

Isto parece muito pragmático e desesperado da minha parte. Afinal de contas, são coisas importantes e com grande impacto em mim. Também já vos revelei o que queria para o blog este ano, mas neste jogo de objetivos e de parecer bem a mim mesmo, apercebi-me de uma coisa: que se lixem os objetivos. Sim, isso mesmo!

Planear? Não planear?

Neste ano que passou, dei por mim a compreender como planear as coisas, não ajuda. OK, isto não é totalmente verdade, mas o que quero dizer é: começar a escrita deste novo livro não estava programada, muito mais com a temática que é. Arranjar trabalho muito menos, e com isto, o de começar a olhar para a minha casa do Porto como um bom refúgio. Uma casa. Isto tudo permitiu-me chegar à conclusão que, muito mais importante de focar em objetivos, este ano quero antes focar naquilo que não quero para mim. Aqueles erros e rotinas que não quero cair para, num futuro espaço de tempo invisível e, muitas vezes, imperceptível nos diversos fios do “destino”, aproveitar melhor o dia.

Carpe Diem

Posso aproveitar o dia tendo objetivos ou metas estritamente definidas ou desejáveis de alcançar. Mas no medo de perder novas oportunidades, aproveitar o momento pode também funcionar com aquilo em que não queremos cair.

Aquilo que mais objetivo assim para este ano é, sem dúvida, o encontrar este tempo para respirar. Para abraçar e sorver novas formas de inspiração. De não me deixar cair na preguiça e não ficar conformado com o que estou a fazer, sentir ou pensar realizar. Quero dar-me mais asas a explorar o eu, tu, o nós e o que nos rodeia. Quero não ter tanto palas nos olhos com certos objetivos em mente e conseguir, com esta visão de cento e oitenta graus, arranjar até novas formas de complementar o objetivo supremo.

Quero ter mais tempo para escrever para o blog, mas não por visualizações ou manter a rotina, mas por mim. Quero continuar a descobrir ainda mais este eu. Não quero sentir amarras ou obrigação. Quero escrever por escrever.

Não quero também ter medo da própria escrita e da minha mente, nem tampouco de arriscar em algo diferente. Não quero ser causador das minhas próprias e eventuais amarras.

Não quero correr atrás do que nada vale, nem de sentir saudade por quem nem conhece a palavra. E, ainda mais importante, não quero viver atormentado por um objetivo furado, uma expetativa não alcançada ou mesmo por um momento menos bom. Todos os dias são possíveis para alcançar a vida, não é por fracassar que deixo de me sentir menos completo ou realizado. Há sempre mais oportunidades e, em última instância, não me quero esquecer disso. Que, tal como num documento em branco, num novo nascer do sol, numa nova fase da lua ou da maré, o que vem depois também poderá ser bom. Com isto, não quero que este ano me molde pelo medo da surpresa, de me deixar surpreender.

Refletir e pensar nisto não foi fácil, mas queria desesperadamente sair da vida em agenda que levei o ano passado para, ao aproveitar o dia, apelar-me a uma outra organização. Vou conseguir? Não sei, mas mal posso esperar por o descobrir.