Highlights de O que nos Magoa #2 – O 1º Capítulo

Muito provavelmente estão a perguntar-se se vão estar a ler notas de forma “individual” de cada capítulo. Porém, e por mais que pareça verdade, prometo que tal não irá acontecer. Mas quando temos um início cheio de detalhes de personalidade e de trajetórias sociais importantes, não consigo deixar de falar deles!

A seguinte publicação é um ramo da rubrica “Por Detrás d´O que nos Magoa“. Este segmento poderá incluir detalhes e segredos das narrativa para aqueles que ainda não leram a história.

——Capítulo 1 ——

«Sempre que dava por mim a olhar para o meu mural do Facebook, apercebia-me das constantes noites passadas sem dormir das minhas colegas pelo desfile de fotografias com que me deparava. Elas pareciam divertir-se tanto, mas tanto. Sempre sorridentes, maquilhadas até dizer chega e com um ou dois rapazes até engraçados, captados naquele fotograma que, daí a uns dias, teria já substituto.» – O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 1º Capítulo

Notas: Enquanto que os nossos pais e, muito provavelmente, algum do público que está a ler esta publicação, tinha na escola o número de amigos e interação como fator e elemento de sociabilidade, atualmente tal não acontece. As redes sociais vieram para, ao agilizar a comunicação, também a destruir. Quer seja em contacto com a vida corrente e “presencial”, quer para passar uma ilusão de vida utópica, as redes sociais podem (e são) um perigo. Foi com base neste mote real que decidi por começar a vincar a personalidade de Francisca. Ela, que sempre vivera “numa bolha”, via na Internet um amigo. Uma janela para o mundo. Todavia, é muito fácil esqueceremo-nos dos perigos indiretos que essa realidade pode ter.

Esta mesma utopia é passada para as fotografias. Registadas numa memória indeterminável dos nossos smartphones e com filtros de edição até dizer chega, é muito fácil valorizar um momento presente para o atirar a um canto. As aparências conseguem ser tudo para um jovem numa rede social: quer em conforto, como escape da realidade ou medição do seu estatuto. Porém, se não existir um balanço ou realidade “terráquea” a moldar o indivíduo, tal pode ser um verdadeiro problema…

«Tal como a minha vida social: pequena. Inexistente.»

Notas: Francisca tem consciência do mundo social “online”, mas somente por saber o que sofreu na sua maturação enquanto criança e jovem. Ter esta perceção é difícil, mas o grande desafio é que: mesmo tendo-a, os perigos continuam. Não falo necessariamente de predadores ou da ilusão da mesma: mas aquilo que os outros pensarão dela. Algo capaz de levar a depressões e a ansiedades imensuráveis…


«A nossa pequena, mas grande loja. Onde tinha o meu balcão, o meu outro refúgio, centrado com a parede pintada de bege e com citações conhecidas de autores, para à sua frente, ficarem pequenos móveis cheios de livros que abrigavam mundos sem fim.» – O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 1º Capítulo

Notas: É assim sem surpresas que assistimos a uma Francisca que procura um conforto não muito habitual nos jovens atualmente. Não só este ser a literatura, mas num negócio que construiu com a sua mãe por necessidades da vida. Tentei assim transparecer este refúgio, quer figurativo, como que literal. Por mais que certos presságios pudessem estar a influenciar-me, o transmitir aquilo que é o prazer de ler e o crescimento ganho na leitura, foi fulcral para moldar a personalidade da protagonista.

«Sempre fora muito decidida no que queria para mim. Naquilo que a vida me presenteava. Todavia, não podia negar a incerteza do que estava para vir após o meu último ano de secundário. O que haveria de fazer com o raio da minha vida. E o engraçado neste dilema é que o que mais queria era não desiludir a minha mãe.» – O que nos Magoa (Diogo Simões, 2019) – 1º Capítulo

Notas: A Francisca passou por diversos episódios traumáticos – mesmo que nesta altura não os compreenda/saiba na totalidade. Aliado a isto, está a ânsia – até por mim sentida – do medo de crescer. Do medo que o adolescente tem em falhar e não saber que papel social desempenhar e futuro ter. Passar estas incertezas e receios à luz de uma figura de referência, tornou-se quase que pilar da primeira parte da obra. O ter medo dos desafios da vida quando tão facilmente estávamos “atrás de um computador/rede social”.

«E era por isso que hoje queria sair com as minhas amigas. Para eu própria ir atrás das respostas que a idade dos dezoito dá. Ou esperava dar. Afinal de contas, era assim que nos era vendida a ideia. Queria sair de casa. Sair da minha rotina repetitiva e partir para o inesperado. E era isso que iria acontecer esta noite! Ou, pelo menos, assim o esperava…»

Notas: Lembro-me de tanto eu como os meus amigos acreditarmos que os 18 anos iriam trazer respostas: Qual o nosso propósito? Porque aqui estamos? O que farei no futuro? “Como farei” o meu futuro? Questões tão parvas, mas tão fundamentais no nosso crescimento. Chamei-lhe de parvas, sim, mas acreditem: são normais. A incerteza, o receio. Passar isto que é tão sentido pelos jovens para uma personagem revelou-se dos maiores prazeres que tive. Senti que estava eu próprio a dar voz a alguns dos meus pensamentos e ideias.

Anteriores: Highlights de O que nos Magoa #1 – O Prólogo

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