Como “Os Sims” me moldaram enquanto autor?

Para alguns, eu ter uma publicação a falar do jogo de simulação mais famoso do mundo pode parecer estranho. Ridículo, até. Todavia, para os que não sabem a importância deste jogo – nomeadamente o Sims 3 -, este representou um marco gigantesco para mim, enquanto autor.

Enquanto crescia, e sendo este tipo de jogos caríssimos, ter a coleção completa do Sims 2 não era para todos. Não obstante o jogo, ter um computador decente para rodar o mesmo era fundamental. Porém, qual a surpresa quando o Sims 3 foi anunciado? Uma gigantesca, e que me fez poupar a sério para ter o jogo e cada uma das expansões. Seria algo comprado por mim, e algo que me permitisse simular e brincar com a vida.

Os meses de jogo foram passando e rapidamente me fui apercebendo da grande – e gigantesca – comunidade portuguesa que o jogo tinha. Desde cedo me apercebi de como havia quem fazia quase que filmes no jogo, assim como histórias e séries. Era fantástico. Sempre amei a realização, e aliando a capacidade de captura do jogo da Eletronic Arts com ideias malucas que tinha para histórias, rapidamente quis experimentar. Assim nasceu esta paixão num jogo com mais de dezanove anos de inspiração e reconhecimento.

O que fiz com o jogo?

Conheci pessoas, inspirei-me, joguei, li e criei séries. Comecei pelo drama, para passar para o romance, ficção-científica e thriller. Experimentei todos os géneros, e sentia-me incapaz de parar. Adorava criar os cenários no jogo e olhar para tudo aquilo como se uma produção em Hollywood. Claro que, anos depois, compreendo o como não escrevia nada de jeito. Como parte da minha vertente de realização no jogo ficava aquém do possível. Mas sabem uma coisa? Amo de paixão essa minha fase. Compreendo o como me moldou enquanto pessoa e autor. Foi, na verdade, com uma das minhas últimas séries, que a ideia para O Bater do Coração apareceu…

Imagem da série prequela “Ao Encontro da Felicidade” (2012)

O passado fez a ponte para o futuro

É certo que fui crescendo, os Sims 3 ganharam até uma expansão relacionada como o Futuro, mas não é disso que aquilo falo. Mas sim como a série que escrevi, “Em Busca da Felicidade”, moldou cada página do meu primeiro romance: “O Bater do Coração”.

Foi pelo meu último ano de jogo, que coincidiu com a minha passagem para o ensino secundário, que a vontade em publicar um livro nascia em mim. Este sonho imaginário passou para ser algo quase que concreto e delirava com isso. Não percebia nada do mundo editorial e tampouco compreendia as potencialidades e fragilidades da minha escrita. Mas foi com o passar dos meses que, ao passar a escrever manuscritos e não séries, que a paixão se cimentou. Que compreendi que, muito provavelmente, o meu maior sonho, seria também aquele que dificilmente iria capaz de alcançar…

Série de ficção-científica “Sonho”. Estreou em 2011 e recebeu a sua temporada final, “Pesadelo”, em 2012.

Como se portou o futuro?

Ainda hoje, não sei como aqui cheguei. Sei o que fiz pela minha escrita. Pela educação e maturação que procuro dar a cada história publicada. Mas sabem? Descobri que este sonho, este desejo, se renova a cada livro. Que compreendo como em 2009, o mergulhar num jogo de computador, me fez descobrir a leitura, a escrita e, por si só, a empatia para com os outros.

O futuro portou-se bem. Ensinou-me a errar e a valorizar os momentos positivos. Todavia, hoje, ao olhar para os Sims 3, uma saudade e nostalgia gigante abate-se sobre mim. Em como era chegar a casa e ir jogar. Em falar com conhecidos que passaram – na altura – a amigos, para juntos criarmos momentos sem fim.

Como ficaram a saber, voltei este ano a jogar o Sims 4. Estava tão reticente e preso ao passado do seu antecessor, que jogar a quarta interação na série me repudiava. Mas tenho amado. É o voltar a encontrar tempo para mim. A acreditar nas minhas histórias e imaginar umas tantas outras.

O que aprendi?

A imaginação foi sendo aliciada, e com este jogo percebi que existem bons vícios, se em medida. Que um computador, um videojogo, não tem de ser visto como inimigo e desinibidor do desenvolvimento de processos cognitivos. À conta disto, descobri o que amava fazer para toda a minha vida, e não retirava em nada esses anos em que era um virgem nas histórias.

Obrigado, Sims! Sem ti, sem dúvida, que não estaria aqui!

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