Quantos tipos de escritor há?

Esta pergunta retórica, para muitos, pode ter uma resposta rápida. Porém, para outros, pode fazer com que toda a sua carreira literária seja moldada em questões, quiçá, bizarras. Mas com isto, afinal, o que quero eu dizer?

Quantos tipos de escritores há?

7.735.892.258. Sim, é esse número todo, aproximado. Mas afinal que número é esse? Muito provavelmente já acertaste, pelo que sem mais demoras: sim, é o número da população mundial. Muito provavelmente estás a perguntar-te – e muito bem – o porquê deste número se nem toda a população escreve. Porém, isso só torna a questão ainda mais relevante.

Nem todas as pessoas com quem nos cruzamos na rua, escrevem. Porém, cada uma dessas pessoas tem uma história. Única, heterogénea e só a uma voz. Cada história tem os seus contornos, e mesmo que essa pessoa em particular não escreva, essa é a única capaz de contar a sua história numa primeira voz vivída.

Ou seja, e respondendo à pergunta lançada: existem tantos tipos de escritores quantos humanos no planeta (até contando com os mortos!). Cada um de nós é único, e não podemos esperar que a forma como eu escreva seja igual à de um outro autor. Pior: o na nossa ânsia de querermos seguir um determinado modelo de trabalho e história de um autor de ronome, acabarmos por fazer exatamente o oposto.

Mas como assim?

Assim bastante simples. Estarmos presos a um modelo inspiracional, apesar de ser ótimo para o nosso desenvolvimento, crescimento e, lá está, inspiração, pode limitar-nos. Os nossos estilos de vida são diferentes, assim como idioma, vocabulário, vivências, ideias e, claro está, o tempo. É impossível dizer que existem um, dois, quatro tipos de escritores, quando os próprios motivos que nos levam a escrever são tão díspares.

Vamos pensar em cenários hipotéticos: posso pensar que o que me levou a escrever foi a solidão, o fugir a uma realidade, sofrer de violência doméstica ou até bullying, mas e para outras pessoas? Será que todas as pessoas que passam pelas situações que descrevi são escritores? A resposta é não, e tal acontece por n fatores, demasiado extensos para aqui explicificar. Se esta tese não é certa, porquê perdermos tempo em classificações que nos prejudicam?

Sermos nós mesmos!

Eu sou um tipo de escritor, tu outro. Tu és um tipo de leitor, e eu outro. A história que me entretem e pode motivar a escrever, pode ser aquela que abominas. Somos diferentes, e acreditar que “não estamos dentro da norma por não sermos um escritor igual a X” pode ser, não só cruel, como uma cruz que nos vai limitar sempre no nosso percurso. Posto isto, sê o tipo de escritor que és. Mais ninguém será igual a ti (e vice-versa).

2 Replies to “Quantos tipos de escritor há?”

    1. Muito obrigado, Ana. Era mesmo o que queria. Por vezes perguntam sempre que tipo de autor queremos ser e a nossa resposta quase que é obrigada a ir no sentido de quem nos inspira a escrever. Um autor pode inspirar, mas nunca seremos o escritor que ele é e vice-versa.

      Beijinhos 🙂

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