5 Anos d´O Bater do Coração

Sinto-me tão feliz, mas tão desapontado comigo mesmo, que nem sei como começar esta publicação. Atenção, não estou desapontado com a data, mas sim por me ter esquecido dela. Por ter pensado que era só nesta semana que a data se celebrava. Mas não. Foi mesmo no 7 de junho que este aniversário se deu, e tenho muito de vos falar disto.

Não irei estar a falar do lançamento, já que na altura até cobri bem o evento e seguintes. Vou antes falar do que aprendi. De como este primeiro livro me deu coisas que nunca, nunca, julgara possíveis. Como quero algo diferente, vou mesmo fazer uma lista. Pode ser que se surpreendam…:

  1. Há muito trabalho a ser feito antes de um manuscrito chegar a uma editora. Muito dele passa por reler e cortar. Aprendi imenso o valor disto e por mais difícil que tenha sido, hoje é algo que faço de bom grado. Há muito disparate que não faz falta (nem sentido).
  2. A revisão é algo pela qual passei a dedicar mais tempo. O meu primeiro livro recaiu exclusivamente em mim e na minha madrinha, mas há coisas que passam. É impossível. Hoje dou imenso valor a isto, quer com leituras minhas, como de leitores-beta cuja função é quase só esta.
  3. Lançar um livro não é só lançar. Por mais que tenhamos o mercado das grandes editoras em mente, pequenas ou editoras Vanity fazem muito pouco. Tem de existir uma grande ginástica por parte do autor e conseguir ser criativo.
  4. Aprendi que aparências iludem e os autores portugueses só ganham se estiverem juntos. Só assim nos conseguimos fazer ouvir.
  5. Na publicação do livro aprendi o valor de saber esperar. De que as coisas demoram o seu tempo.
  6. Quando publicamos um livro, pensamos que venderemos logo centenas de exemplares. E por mais que isso tenha acontecido, demora o seu tempo. Há eventos que aparecem muitas pessoas, outros que não. E é normal. E não há mal em se ficar triste por isso, mas algo que não se justifica em momentos futuros. Se tal acontece, implica uma reflexão da nossa parte.
  7. Na escrita, temos de escrever essencialmente para nós. Mas também temos de saber olhar para o mercado e suas tendências.
  8. O marketing é um desafio, mas a Internet tem de ser vista como amiga e não inimiga.
  9. Existem sempre diferentes opiniões, e se queremos chegar a algum lado, temos de saber escutá-las, e não fazer birras – acreditem, conhecem muito quem faz.
  10. Com a publicação do primeiro livro, aprendi que o sonho de ser autor é algo que se renova. É um sonho que nunca verei saciado. A partir do momento que está publicado, a vontade em ter outro “cá fora” é enorme.
  11. Escrever um livro exige não só criatividade, mas muito trabalho. Quer seja imediato, quer por momentos anteriores de pesquisa e preparação, se não nos dedicarmos de corpo e alma, algo vai falhar. Pode não ser a história nem a escrita, mas o seu sentido.
  12. É importante agradecer a quem nos ajuda. Mesmo que essas pessoas já não estejam na nossa vida, fizeram parte do percurso. Só nos faz ser humanos em agradecer.
  13. É preciso ter cuidado com promessas!

Dei-vos 13 pontos, mas sei que poderiam ser muitos mais. Uns que tenho falado no quão difícil pode ser ser-se (jovem) autor no nosso país. Especialmente quando nem os próprios municípios apoio os seus escritores. Ou a comunidade. Sabem que já falei disto, por isso quero dar-vos umas curiosidades da história:

  1. A história teve sempre três títulos possíveis;
  2. Tal como em títulos, o livro recebeu três possíveis capas;
  3. Escrevi o livro com 17 anos;
  4. Duas personagens mudaram de nome por fidelidade à história;
  5. Inicialmente as personagens principais tinham apelidos ingleses “Black” and “White”, que foram mudados no processo de revisão;
  6. Antes de pensar em publicar por uma editora, a Escrytos era uma opção muito forte;
  7. Soube que ia publicar no dia em que estava prestes a assistir a um concerto da Rihanna, no MEO Arena;
  8. Na altura, só duas amigas minhas sabiam que escrevia;
  9. Inicialmente a história era para seguir a tendência de “rapariga do campo muda-se para a cidade”, mas após visitar França nos meses anteriores à escrita, mudei a narrativa;
  10. Muitos leitores pensam que as cenas iniciais são baseados no filme Titanic, mas a primeira vez que vi o filme foi no lançamento da sua versão remasterizada em 3D – e não, não gostei da história;
  11. O naufrágio que acontece foi baseado em acontecimentos verídicos; naquele ano um navio de cruzeiro embatera na costa italiana.
  12. Após ter concluído a escrita, escrevi uma carta alusiva ao Dia dos Namorados. A ideia veio por influência da escritora Cassandra Clare;
  13. Como a carta foi escrita antes a publicação do livro, de forma a no mesmo ano ter outro especial para os leitores, escrevi duas cartas de natal, trocadas também entre duas personagens.
  14. O final da história era para ser diferente.

Espero que tenham gostado de conhecer um outro lado da história, quer em termos criativos, como de autor, e mal posso esperar pelos próximos anos. O Bater do Coração terá sempre um lugar especial em mim e muitos dos temas que aborda são, na verdade, inspiração para os aprofundar em novas histórias. Nem sempre o percurso foi fácil, mas aproveito para dar reconhecimento aos meus familiares e amigos por este apoio, e venham mais livros!

2 pensamentos sobre “5 Anos d´O Bater do Coração

  1. Parabéns Diogo!

    Como me identifiquei com todos os pontos que escreveste aqui. Ter tido uma má experiência com uma vanity fez-me querer dar mais pelos meus livros. Ser eu a fazer em vez de depender de terceiros. Também aprendi muito sobre a revisão e o meu último livro sofreu também imensas mudanças, fazem parte do processo e do nosso crescimento. Aprendi a ser perfeccionista, já que as Vanity não o são e um autor não tem que dar a cara pelos erros da editora e engolir críticas negativas por causa dos erros.

    Brevemente a resenha do teu livro no meu blogue 🙂

    Um beijinho!

    Gostar

    1. Olá, Ana!

      Muito obrigado pelas palavras e comentário.
      Um livro é mesmo como um filho. Sermos cuidadosos é sinónimo de o respeitar e de, ao mesmo tempo, pensarmos no leitor. Não nos custa nada. Aliás, o que custa, é um reconhecimento merecido pelo trabalho tido.

      Obrigado, ficarei a aguardar a resenha 🙂

      Beijinhos

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