“Trajetórias” – Como foi criar esta série de escolhas?

Quando vos falei a semana passada de como foi ter a ideia para esta série interativa, muito ficou por dizer. E é neste intuito que vos trago mais uma publicação. É que, quando pensei nesta narrativa, não podia pensar só na história em geral. Isto é, não valia a pena eu ter uma ideia estruturada da história completa quando a estrutura era ela, por si só, maleável.

Mas reparem, um manuscrito de um livro também o é. Por mais fixa que seja a ideia que tenha, vou alterando e ajustando coisas. Porém, esta mutação muda de figura quando são as nossas ideias diferentes que dão lugar a novos elementos de histórias do qual o leitor irá conseguir ler. E isto sim, é algo que não acontece no manuscrito, já que um leitor nunca sabe dos seus rascunhos.

Criar esta história revelou-se assim um autêntico frenesim, já que tinha de pensar como é que uma ação poderia originar várias e diferentes. E ainda mais: como é que essas variáveis se tornariam plausíveis e não atuariam como elementos de “palha”. Afinal de contas tinha de respeitar a história, e não valia a pena estar a escrever algo só para dizer que tinha mais um ramo de história por onde escolher. Com isto, existem até momentos da história em que não existe escolha a ser feita se não avançar.

Partindo destas reflexões, que traduzem a confusão que foi a minha cabeça, o meu maior aliado foi o OneNote. Foi neste programa do Office que consegui criar um mapa gigante de toda a narrativa e de que forma uma trajetória se desdobra noutra. E mais: de que forma uma trajetória iniciada anteriormente consegue coincidir com outra agora talhada pelas personagens.

As cores representaram um papel fundamental na organização, já para não falar nos próprios vistos de conclusão que permitem perspetivar o futuro da série. Mas como conseguem perceber, e tal como na vida, nem todas as trajetórias são lineares. Nem tudo vai corresponder ao que se quer ou ao que o leitor espera, porque a própria vida não o assim é. No entanto, tenho de vos confessar como achei curioso que certos momentos se encaixaram noutros, mesmo que não estando planeados… Isto deveu-se muito à própria liberdade que me dei. Não queria estar preso. Isto não é um livro, é algo para me divertir e para me descobrir a novas personagens, pelo que foi mais que justificável pensar como seriam momentos diferentes.

Nem sempre isto foi fácil. Comecei a escrever em janeiro, criei este documento em fevereiro, e terminei em maio. Foram diversos meses a pensar, a trabalhar. A afastar-me dos diferentes ramos da história para conseguir trabalhar noutros. Não me podia confundir, e muito menos repetir em acontecimentos que teriam de ser diferentes. Bastante diferentes… Algo que também se revelou fulcral foi um seminário que tive da Cruz Vermelha, a respeito do suicídio, assim como à minha formação enquanto Assistente Social, ao mestrado que agora tiro de intervenção com crianças e jovens, assim como de noticiais atuais sobre as problemáticas que abordei.

Tenho muito mais para vos contar, e muito mais que só será desvendado ao se ler a própria série, mas por enquanto fiquem por esse lado. Para a semana prometo que vos dou mais!

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