Quando brincar me moldou…

Ao longo destas últimas semanas tenho intensificado algumas das questões sociais que pautam os meus livros e também a própria realidade. É dela que tiro a inspiração para as histórias, e não poderia de deixar de refletir aqui convosco sobre isto mesmo. Sobre como o brincar é importante. Como não só nos permite criar novos mecanismos de sociabilidade, como de imaginação e criatividade.

Porém, qual o meu espanto quando a própria palavra “brincar” gera estigma nos adultos? É bastante, e olho para isso com tanta pena que penso que os nossos adultos se esqueceram do que é brincar, e da sua importância. Mas, para ser sincero, quando os pais da atualidade espetam smartphones à frente dos filhos, ou tiram os filhos das ruas porque são “perigosas”, como posso ficar surpreso?

Leitura Sugerida: O Direito a Brincar

Com isto, tenho de vos contar como brincar me moldou enquanto autor. Em como nas minhas férias de verão adorava criar cenários em LEGOS e usava personagens dignas de cenários apocalípticos para criar histórias na minha cabeça. E assim eram, todos os dias da semana, nesta brincadeira. Nesta bricolage de ideias, pensamentos, qual simples peças de legos. Assim me fui moldando na escrita, aliado a aventuras de bicicleta, a quedas, a vivências e aprendizagens que só eram possíveis com os amigos que na época tinha.

É certo que o brincar ao longo dos anos foi diminuindo, mas nunca o esqueci, para ser sincero. E se pensar um pouco mais, penso que foi desviado para a leitura. Para depois procurar novas formas de “brincar” com a imaginação num mundo rígido e que nos tira o tempo para isso. Surgiu assim o Sims 3 e fiquei contente por ter poupado dinheiro para o ter e continuar esta brincadeira. Tenho a certeza absoluta que se não me tivesse aventurado com ele a criar histórias naquele mundo, parte de mim se teria perdido…

Muitos jovens, tal como os adultos, temem a palavra brincar. Associam-na a “não fazer nada”, a “preguiçar”, e a outros sinónimos nada elegantes. Consigo compreender de onde vem este estigma, mas o que é certo é que eu nada teria sido sem o brincar. Nem agora, para ser sincero. Estou muito grato pela brincadeira e por ter conseguido criar o gosto de estimular a imaginação e criatividade. Em permitir ter uma criança dentro de mim, sem o medo de perguntar, pedir desculpa, e questionar sem receios. Mas será que os mais novos, hoje, terão a mesma oportunidade? Gosto? E vocês?

2 pensamentos sobre “Quando brincar me moldou…

  1. Infelizmente, cada vez menos as crianças têm tempo para brincar. Brincar estimula os sentidos e a imaginação e é tão bom. Lembro-me que quando era pequena adorava inventar histórias enquanto brincava às bonecas, também brinquei com Legos mas as barbies eram as predilectas.

    É tão ser criança e ser-se criança sem brincar não é ser criança 🙂

    Beijinhos!

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    1. Uma grande verdade. A vida, quer das crianças, quer dos seus pais, é tão caótica que brincar passou a ocupar um lugar vergonhoso na lista de coisas “a fazer”.
      Confesso que também usava todo o tipo de brinquedos, quer houvessem bonecas à mistura ou não, e adorava. Adorava o inventar histórias e o criar com tão pouco.

      Excelente frase, que não esqueçamos o que é ser criança!

      Beijinhos 🙂

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