Fui ver o “Samitério de Animais”

Como é que um filme pode ser assustador com a palavra animais no título? Como é que o género de terror se agarra a ele? Foi o que fui descobrir ontem, quando o fui ver com o R ao cinema. Posso começar por dizer que saí de lá de boca aberta. Porém, ainda hoje, tento descobrir a verdadeira razão…

Não vou perder muito tempo a falar do elenco, já que achei que a prestação foi fantástica e bastante profunda, tocante até em certos momentos. A banda sonora foi também algo tocada pelo género do thriller e terror, com a adição de elementos de natureza que deram uma profundidade acrescida à história e cenários desta família que decidiu mudar-se de Boston para acalmar as suas vidas e passarem mais tempo com os filhos. Verdade seja dita, pelo filme, não percebo como é que a rotina deste casal poderia ser tão complicada ou diferente da que acontece no novo período de vida das personagens. Talvez por o protagonista masculino ser médico nas urgências médicas e isso o obrigar a passar várias noites fora de casa? Será essa a razão? A verdade é que nunca percebemos também o que fazia a sua esposa… Mas adiante.

A localidade da ação do filme é lindíssima, e por mais saltos e tensões internas que tenha sentido, concordo com o Ricardo quando este refere que é mais um thriller (psicológico) do que de terror. E é verdade. Para um filme com o título “Samitério de Animais” esperava ver mais… animais. É certo que é um animal que é responsável por praticamente tudo o que acontece a esta família, mas fiquei desapontado. Não que seja um mau filme, nada disso. É daqueles filmes que saímos da sala de cinema a pensar nele do que em outros em que temos um círculo fechado de acontecimentos com princípio, meio e fim. Mas no filme as crianças que aparecem no trailer, só aparecem uma vez. O mesmo com a palavra “Cemitério” estar mal escrita, já que só é referida e nunca explicada. Aquilo que penso é que como estes rituais fúnebres de animais são mais realizado por crianças, pela relação mais próxima que costumam ter a animais, estas acabam por dar os seus erros gramaticais, o que permitiu criar logo uma atmosfera retorcida e inocente. Infelizmente, para o filme, não achei nada de mais.

Foram diversos os sustos que apanhei e o medo que senti, mas estava com outras expetativas para este filme. Porém, como disse, não é um mau filme. O final é de deixar qualquer um de boca aberta e fiquei com muita curiosidade para ver uma sequela. Claro que a existir uma sequela, sei também que seria estar a estragar o final diferente e horripilante que foi.

Acho que o meu conselho para quem quiser ver este filme é: vão para se divertir, deixarem-se assustar e contagiar com a mente maluca do Stephen King. Porque os filmes baseado nos seus livros são sempre assim. Quer seja este, quer o IT – que ganhará este ano a sua conclusão -, a forma como ele cria as histórias é sempre assim. Contudo, tenho de aplaudir de pé a forma como a história aborda os temas da morte. Achei fenomenal e bastante bonito as diversas mensagens e significados subjetivos deixados, quer por diálogos, quer pela lógica subsequente a eles.

Talvez este seja daqueles filmes como o Hereditário, em que é preciso ver várias vezes para nos entranhar e percebermos as mensagens ocultas, mas simplesmente com este filme não o consegui fazer. Adorei o filme, surpreendeu-me por ser algo completamente diferente do que esperava e num sentido aceitável ao ponto de bom e excelente, mas faltou-me algo. Saí do cinema com o pensamento de “o que raio foi isto”. Hoje ainda estou assim. Se isto é bom ou mau, irei descobrir…

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