VIVER COM TECNOLOGIA #4 – Ter um Kobo

Desde fevereiro que vos contei que tenho um Kobo. Foi uma prenda de aniversário do R, nos meus 24 anos. Já andava a namorá-lo há muito tempo de cada vez que o via na Fnac. Via-o, pensava nele e falava nele, mesmo sem o ter. Falei com a Sofia Costa Lima, a respeito do seu Kindle, e sonhei mais um bocadinho. A espera, claro está, valeu a pena. Foi com um Kobo que acordei ao pequeno-almoço do dia 12 de fevereiro e é hoje, quase dois meses depois, que vos falo dele. Desta experiência e de que forma o Kobo me é tão importante no meu futuro enquanto leitor, e autor…

Foi por meio de pistas pela casa, tal e qual um jogo de Sherlock Holmes, que encontrei a caixinha deste fantástico aparelho. Esta escondido, arrumado por entre livros, na estante cá de casa. Vi-o, e não conseguia esperar por não o abrir.

Mas afinal o que é um Kobo? O Kobo, ou Rakuten Kobo, é um e-reader concorrente a outras ofertas do mercado, como o Kindle. Uma vez que o Kindle é da Amazon, e a mesma não atua em Portugal, obter um acaba por ser ou por compra online, ou por meio de um OLX ou CustoJusto, por exemplo. Uma vez que o Kobo é vendido pela Fnac, este é compatível com os formatos de e-books vendidos em Portugal, pela Wook ou Bertrand, por exemplo. Sendo que isto era algo muito importante, o desejo de um Kobo ao invés de um Kindle acabou por ser sempre maior. Claro que se podem usar programas para converter formatos, mas quando queremos rapidez e não andar preocupados com chaves digitais (DRM), o Kobo foi sempre a escolha. Isto também acontece por um grande motivo: queria ler maioritariamente em português, pelo que teria de ter um e-reader completamente compatível com os formatos cá vendidos.

Como podem perceber pelas imagens, o Kobo que tenho é o Clara HD, que conta com ecrã tátil de 6 polegadas, com tecnologia e-ink, que proporciona uma visualização ao estilo de um livro, assim como da tecnologia ComfortLight PRO, que reduz a exposição à luz azul para uma leitura noturna mais confortável. Tem 8 GB de memória, suporte a Wi-Fi e com o software TypeGenius, com 11 tipos de letras diferentes e mais de 40 estilos de letra. Com isto, escolher a espessura e nitidez do tipo de letra torna-se igualmente possível. Suporta
EPUB, EPUB3, PDF, MOBI, JPEG, GIF, PNG, BMP, TIFF, TXT, HTML, RTF, CBZ, CBR, assim como as seguintes línguas: Inglês, francês, alemão, espanhol, neerlandês, italiano, português (Portugal e Brasil), japonês, turco. Com isto, tem ao dispor dicionários o qual facilita a tradução ou procura de significados em tempo real, sem a necessidade de conexão há internet. Já a sua autonomia ronda à volta de duas semanas.
Mas agora uma pergunta surge: como é que esta tecnologia se alia, e aliou, para me convencer a entrar no mercado dos e-books?

Pois bem, a resposta é simples: ao mudar-me para o Porto, e uma casa que não é minha, ter espaço para livros é coisa que começa a apertar, o mesmo para Leiria. Aliado a isto, está o custo. Já vos valei de quanto mais barato um e-book pode ser, pelo que estando a estudar fora acabei por achar um Kobo um aliado para a poupança. Sei que um e-reader nunca poderá transmitir ao leitor o cheiro de um livro. O toque da capa brilhante, o folhear das páginas. Nem o peso, para ser amplo. Porém, quando temos um ecrã e-ink, parece que tenho nas mãos uma página solta de um livro. É formidável como se torna confortável ler – nada igual a ler no computador -, e como o posso fazer em qualquer lugar e a qualquer hora.

Ao longo dos anos tenho ficado mais preguiçoso na leitura. Quer pelo tamanho dos livros, peso, tamanho da letra, ou até não ter qualquer tipo de luz disponível, fui-me esquivando de ler. Porém, o Kobo tem-me ajudado neste campo. Consigo ler à noite sem precisar de ter uma luz de presença, já que o ecrã do e-reader a emite – e não, não cansa o olhar -, e alterar o tamanho da letra é permitido. Com estes aliados, ler até se tem tornado bem mais rápido, já que consigo adaptar por completo um e-book aos meus gostos e necessidades. Comprar livros é também fácil, já que posso usar a loja da Kobo, o site da Fnac dedicado aos Livros da Kobo, a Wook e o meu site favorito: a Bertrand. Quando compro pela Kobo, o livro é transferido automaticamente via Wi-Fi para o e-reader. Se utilizar outra loja, basta usar o programa Adobe Digital Editions, que permite validar o e-book como legítimo, e transferir depois para o meu novo melhor amigo Kobo. É fácil e instantâneo. Além do mais não tenho de esperar pelo envio do livro, já que o download é imediato.

O corpo compacto do e-reader também ajuda, já que é fácil de o transportar para qualquer lado. Posso levá-lo para um shopping, estando arrumado num simples bolso de um casaco ou roupa, ou para uma piscina, uma festa aborrecida, uma viagem. O espaço que ocupa é tão mínimo que não consigo ver lado negativo. O mesmo para a leitura em si. Um exemplo que vos dou foi como comecei a ler todos os livros da Colleen Hoover. Como muitos deles não estão traduzidos para a nossa língua, o formato e-book ajudou-me nesta tarefa. Sendo em inglês, consigo ainda pesquisar palavras que desconheço ou saber mais do sentido de uma. Tudo isto com um gesto no ecrã. Citações favoritas são também ótimas de realçar, já que as posso destacar, ou até dobrar digitalmente uma página. Tudo com o dedo. Posso ainda ver o progresso do livro, quer para a obra toda, como para o final do capítulo – algo muito útil -, e ver isto em tempo, percentagem, ou páginas. Mensalmente temos ainda uma newsletter da Kobo que nos informa do número de horas que passamos a ler. Ah!, algo muito giro: ao comprar pela Kobo, o livro apresenta uma estimativa de tempo de leitura. Quando a leitura está concluída – ou antes, para ser sincero -, posso arrumar a casa. Posso criar coleções e catalogar o que li. O mesmo para as notas, já que posso vê-las sempre que quiser, sem ter de as procurar no livro.

Newsletter de Março de 2019

Aqui entra um ponto negativo: se estiverem a ler um livro que não tenha sido comprado pela loja da Kobo, este não vai aparecer nesta newsletter ou mesmo na vossa conta pessoal da Kobo. É algo que se compreende, mas visto que há diversas lojas para compra de e-book, seria bom uma associação por ISBN, mesmo que o livro não tenha sido comprado pela loja. Isto acabaria até por permitir o leitor deixar uma classificação diretamente na Kobo, o que dava até publicidade ao livro em questão.

Agora é assim, o software nem sempre é rápido quando queremos sublinhar longas entradas, e ainda não consegui conectar a minha conta de Facebook ao bicho – uma vergonha, eu sei. Mas tem-me dado tanto prazer ver como a tecnologia pode ajudar a reerguer, ou até dar (novos) hábitos de leitura, que começo a recomendar os e-readers a todos. Obviamente que isto não implica que vá deixar de comprar livros físicos. Nada disso. É impossível. E isso acontece por termos em Portugal grupos editoriais que não publicam em e-book – uma vergonha autêntica (sim TopSeller, estou a olhar para ti)- como por ter uma pilha de livros já comprados ou oferecidos para ler. Aquilo que me permito a fazer é ler um livro físico e depois passar para um e-book, e assim sucessivamente. Algo que bom dos e-books é o como pode ajudar novos autores. Quando temos livros de autores desconhecidos a preços altos, por vezes podemos ficar de pé atrás em comprá-los. Porém, quando o mesmo livro está disponível em e-book e a preço inferior, o autor poderá ganhar um novo fôlego e público até então desconhecido. Um exemplo disto é a chancela da Porto Editora, a CoolBooks, que começou por publicar só em e-book para agora ter estes dois mundos, unidos. O mesmo para editoras como a Chiado Editora e, muito em breve, a editora Cordel d´Prata.

Como perceberam, um Kobo é um mundo. É certo que peca pela falta de sensação de um livro físico por não ter o peso, as páginas ou as cores. Porém, para aqueles que procuram um novo motivo para ler, ou uma comodidade aliada à poupança, um dispositivo da gama Kobo pode ser ótimo companheiro.

Sei que a publicação é extensa, e não me quero com isto alongar mais. Porém, preparem-se, porque na próxima semana vou refletir no como é viver mesmo com um Kobo e refletir como a sociedade portuguesa, editoras e até o Ministério da Educação, olham para este mercado. Garanto-vos: não teremos boas notícias.

3 pensamentos sobre “VIVER COM TECNOLOGIA #4 – Ter um Kobo

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