Alita: Como é este anjo de combate?

Regresso a Leiria é, muitas das vezes, sinónimo de ir ao cinema matar saudades do segundo maior ecrã do país, o CINEMAX, que fica atrás do IMAX, disponível somente no Porto, Lisboa e Faro. Desta forma, e sendo que não houve grandes estreias nestes dois primeiros meses, o único filme que restava era Alita!

Quando comecei a ver os primeiros trailers, talvez para agosto do ano passado, o meu pensamento era: ou este filme será muito bom, ou será um autêntico fracasso. E estava mais apontado para o último ponto, e nem o nome de James Cameron (Titanic e Avatar) me convencia do contrário. Até que algo aconteceu quando o vi, no passado dia 22.

Para mim, falar deste filme implica abordá-lo sobre três pilares intrinsecamente conectados: História, Mundo e Efeitos Visuais/Especiais.

A história do filme é única. Diferente. Todo o filme é complexo e se há filmes que parece que algo fica por contar, este não é o caso. Atenção, existe muita referência no filma a um evento que mudou a sociedade, e apesar de não existirem explicações concretas, torna-se fácil perceber a lógica do que terá acontecido. Mas quando digo que não há nada por contar, é porque enquanto que certos estúdios perante um argumento tão complexo, poderiam ter escolhido dividir o filme numa trilogia, este não. São assim múltiplas as cenas de ação e reviravoltas que nos fazem querer desejar ver sempre mais. Sem dúvida que é um filme pesado por isso mesmo. Deixa-nos muitas das vezes sem fôlego e a fazer-nos pensar que irá acabar naquele instante, mas não. Consegue abrir, desenvolver e fechar todos os arcos de forma brilhante, o que potencia para o que será uma bela sequência.

Quando isto é aliado a um elenco rico em interpretação ao mundo criado por Yukito Kishiro na sua mangá, ficamos deslumbrados pela forma como este conseguiu recriar costumes da cultura típica americana (e até um pouco europeia), assim como às classes sociais e avanços tecnológicos. E se isto é feito de boa forma, quando temos a experiência do Cameron na criação visual, então é belíssimo. No trailer é fácil termos essa perceção, mas no grande ecrã isso é elevado a uma dimensão completamente diferente. E se for para ser completamente honesto, acho que os trailers estão mal feitos. Não os culpo a eles, já que escondem a narrativa da história. Porém, se os espetadores os usarem como referência de algo a ir ou não ver, podem ser decisivos.

Algo surpreendente neste mundo dos efeitos especiais é a forma como os braços robóticos parecem ser reais ao serem conjugados com o organismo humano e de como os robôs foram feito ao cuidado para pareceram tal e qual humanos. Algo sim, que o trailer faz jus e me despertou para o visionamento do filme.

A narrativa principal, aliada a estes pontos, é muito bonita e comovente, sendo uma jornada típica do herói. O final, sim, foi surpreendente. Era de esperar que uma certa personagem e com certa importância para a protagonista sobrevivesse nesta ficção científica. Mas serve sim como gatilho para o Anjo de Combate que se torna.

Há algumas passagens que podem ser confusas, e são. Só pelo desenrolar do filme nos apercebemos do que estamos realmente a ver. Mas não houve nem um segundo que quisesse sair da sala ou me tivesse arrependido da escolha. As cenas são boas, dinâmicas e sem o cliché de já muita cena de ação. Gostava era ter sentido um maior domínio do suposto grande vilão da história no início. Poderia tornar mais percetível a história para certo tipo de espetadores. Mas adorei e espero seriamente que a sequela seja feita. Infelizmente, como a Disney comprou a Fox a decisão pode ser mais difícil. Mas se pensarmos na forma como a relação entre o James e a companhia do Mickey é (fruto do Avatar, e da construção desse mundo na Disneyland Orlando e futura distribuição do Avatar 2 e 3), talvez tenhamos uma hipótese. Grande, diria eu.

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