O Caderno do Diogo: Os leitores-beta

Estamos a escrever. Embrenhados no nosso mundo. Temos uma rotina definida e vamos estando entretidos na nossa escrita. Na nossa criação. No nosso trabalho. Mas será que deveremos começar já a procurar opiniões? Como o poderemos fazer? A resposta pode estar aqui…

A resposta passa por procurarmos pessoas, claramente, em que consigamos confiar. Que tenham tempo e estejam dispostas a ler o que mandamos, a aturar os nossos caprichos e que saibam criticar. Avaliar o que queremos. Porém, nem tudo depende delas, mas também do que o autor procura.

O que é um Leitor-Beta? 

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É um leitor com acesso a um livro antes de ele ser publicado.  A sua leitura deste “manuscrito” tem como objetivo uma colaboração com o autor para a revisão e edição do livro!

Claro que isto é muito vasto, daí vos dizer que têm de definir o que querem com estes leitores e de que forma vão contactar com eles.

Quando os procuro?

Claro que não existe altura específica para formarmos o nosso grupo, acredito que depende da história. Mas por vezes, se queremos organizar o nosso tempo, seja boa ideia começar quando tivermos, por exemplo, metade da história escrita. Isto permite-nos detetar, ou que os outros detetem, erros e/ou incongruências que se tornam mais fáceis de corrigir.

Isto leva a múltiplas questões, como a nossa capacidade de saber lidar com as criticas e/ou diferentes opiniões.

Quem se procura?

  • Leitores (M/F) que apreciam livros de determinado género literário;
  • Pessoas que, obviamente, gostam de ler e lêem regularmente;
  • Com uma idade mínima de 15/16 anos;
  • Leitores dispostos a assumir o compromisso de ler e fazer uma crítica sobre o livro, trocar ideias sobre as sugestões / alterações e correcções que surgirem. Que não tenham medo de expressar aquilo que gostavam de ler com aquelas histórias e personagens e também o que não gostaram.

É preciso termos bem definido o público-alvo da nossa história, isso irá ajudar a trilhar o nosso caminho e a perceber como deveremos passar a nossa mensagem. Mas isto leva a questões importantíssimas: a segurança e confiança.

Com base na experiência que tenho, aconselho:

  • Leitores do vosso país, por questões de fuso horário;
  • Leitores cuja língua nativa seja a correspondente àquela em que escrevem;
  • Leitores em quem encontrem nas redes sociais, e/ou Goodreads, e/ou blogs (apenas por questões de segurança e protecção do vosso original);
  • O uso de um e-mail ou página no Facebook específica para lidar com a correspondência.

O que se procura?

Temos pessoas, o nosso gang. Mas afinal o que estamos a procurar quando criamos este grupo? Em quem confiamos o nosso original?

  • Leitores honesto na sua opinião, com criticas fundamentadas sobre o que está bem e o que não está. (Claro que uns elogios não fazem mal nenhum).

Comentários mais específicos como:

  • Personagens: São credíveis? Consensuais? Gostas delas?
  • A história tem um bom ritmo? Arrasta-se ou é demasiado rápida?
  • Há inconsistência no enredo? Nas personagens?
  • Encontras algum erro de gramática? A pontuação não está clara?
  • Há algo na história que adores ou odeies? Algo que sejas indiferente e na tua opinião não traz qualquer valor?
  • Quando acabas um capítulo o que esperas que aconteça. O final do livro deixou-te com dúvidas?

O que acho ideal é a construção de um guião de modo a tornar tudo isto mais fácil e até divertido. Como viram, podem usar os leitores-beta para diversas questões, mas podem simplesmente focar-se num único ponto. Vamos imaginar que querem perceber se o mistério ou segredo está bem definido. Podem focar as vossas perguntas aí. Vou mostrar-vos que tipo de perguntas elaborei aos meus leitores para o meu terceiro livro:


Guião

1. Compreendeste a relação do título com a história?

2. Compreendeste a Y?

3. Achaste que faltava alguma coisa à personagem supramencionada?

4. Compreendeste o X?

5. Achaste que faltava alguma coisa à personagem supramencionada?

6. O que achaste do ambiente da história? Encontraste alguma incongruência?

7. Gostaste das personagens secundárias? Sentiste que faltou algum elemento ou lacuna por preencher?

8. Sentiste, nalgum momento, incompreensão de uma determinada situação/momento/diálogo/evento?

9. Sentes que falta alguma explicação adicional sobre um determinado tema/assunto/momento?

10. A escrita pareceu-te fluída?

11. O que achaste do final? Era o que esperavas? (Se não, indica o porquê.)

12. Sentes que ficou alguma coisa por contar e/ou revelar?

13. O que mais gostaste?

14. O que menos gostaste?

15. O que poderia estar melhor?

16. O que sentiste quando leste a “Nota do Autor” em relação à história que acabaste de ler?

Erros

Encontraste um erro? Comunica-me por favor. Ficarei mais que agradecido!


Como constataram, foram diversas as dimensões que abordei, mas o recomendando é sempre definirem o que querem. Após isso, as perguntas surgem. Exemplo disto é este guião ter passado por três versões. Todas elas potenciadas pelo próprio distanciamento que eu ia tendo do trabalho e me permitia ser mais minucioso ao voltar.

É importante perceber que ser leitor-beta não é um trabalho. Há pessoas que o fazem a troco de dinheiro, é certo. Mas o ideal é este trabalho ser feito de forma sincera, comunicável, e com respeito. Afinal de contas estamos não só a pedir a uma pessoa para despender do seu tempo para ler com atenção, como responder a questões. Com isto acrescento: agradeçam sempre. Mostrem gratidão. É muito difícil um livro construir-se sozinho.

Para facilitar todo este processo, ou podem fornecer o vosso livro em formato PDF e os leitores, se assim entenderem ou se for o que procuras, fazem as devidas notas, ou então enviam esse questionário por Word ou até pelo Google Forms. Desta forma consegues avaliar todas as questões e agilizar o vosso trabalho. Uma outra dica de ouro antes de fechar o post:

Nunca dês por completo o teu manuscrito a alguém!

Envia só até uma certa parte. Faz essa leitura cuidada e tenta dividir a história num ponto fulcral e que faça sentido. Desta forma, para além de protegeres o teu trabalho, vais perceber se a pessoa a quem o envias é de confiança ou não. Digo-vos isto porque já muita gente me pediu manuscritos para depois nunca mais me responder. É assim importante estabelecerem uma rotina de comunicação e que seja exequível para ambas as partes.

Espero ter-vos ajudado nesta publicação e mal posso esperar por publicar as que a ajudam, ou seja: o como lidar com as críticas. Ainda antes de terminar deixo-vos uma página para que possam ter como modelo e, quiçá, usar nos vossos espaços. Não se esqueçam de creditar se tal acontecer.

LEITORES-BETA PROCURAM-SE

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