O Caderno do Diogo: As Editoras (Dicas de Publicação e Conhecimento Editorial)

Sei que provavelmente deveria, nesta primeira publicação do meu Bloco, começar pela “página número um”. Que vos deveria falar mais de outros tópicos no processo de criação e construção de uma história, que antecedem a procura por uma editora. Mas quis ser diferente! Confesso que em parte, porque já tenho algumas publicações aqui no blog que falam desse processo. Assim, e após esta introdução, deixo-vos algumas dicas na procura de editoras sendo que antes, irei fazer uma grande distinção…

Prontos para começar?

O que vão encontrar?

Dicas do que são editoras e vanity, e até mesmo edições de autores e diferenças entre as ambas. Também dou dicas de cuidados e “atenções” a ter antes de se assinar um contrato!

Também vos dou a conhecer uma sugestão para quem quiser investir nos e-books de forma gratuita e por meio da LeYa!

Página 1 do Caderno

Quando acabamos um livro, ou estamos em vias de, uma nova aventura começa. Uma que ultrapassa aquela que já demoramos tanto tempo a criar no nosso manuscrito. Com isto, começamos a pensar: será que serei publicado? Será que o livro é bom? Será que ele será publicado ou não vale nada? Será que não valerá a pena o meu trabalho? Será o mundo injusto?

Como autor, muitas das perguntas respondo com grande afirmação. O meu primeiro livro era uma valente porcaria. Mandei a editoras mas, quase logo a ter carregado no botão de enviar, arrependi-me! Sabia que aquilo não valia a pena e que o meu esforço, fora em vão. Que aquilo não valeria a pena chegar até aos leitores. Estava eu no ano de 2011!

Mas quanto às outras perguntas que coloquei? Concordo com elas? Em parte. E porquê? Porque sei que aprendi imenso com esse manuscrito. Aprendi a melhor forma de construir histórias, personagens, mistério e drama (comparado a trabalhos meus anteriores). Aprendi também como rever o que escrevia. Ou assim pensava! Algo que fica para outra página do meu Caderno. Assim, passando à frente estes dramas, o medo quando ia para o próximo manuscrito era o mesmo. Por isso, e após publicar o Bater do Coração (2014), um ano depois, sabia logo que tipo de editoras existiam:

    • As Editoras: Aqueles grandes impérios e quase monopólios do mercado que têm grande experiência e influência na distribuição. Aquelas que, na verdade, pagam aos seus autores para publicar. Mas algo que acontece pouco, na verdade, já que existe mais prevalência no negócio de traduções de obras. E algo que até é normal, sejamos sinceros. Mas fazem o seu devido trabalho de revisão, edição, publicação, divulgação.
    • As Vanity: As editoras Vanity têm este nome porque se aproveitam da “vaidade” dos autores em publicar um livro. Atuam mais como impressoras do que editoras em si. Todavia dentro destas existem umas que existem só para isso, e outras que se vão destacando. E porquê? Porque atualmente já temos quem, neste meio, faça um bom trabalho. Quer de revisão e divulgação. Estas editoras pagam ao autor, em média 10% por cada livro vendido (Direitos de Autor), para além do facto do autor ter de comparticipar, em parte, a edição do livro (exemplo: Compra de X exemplares).

Quando escrevemos, o nosso sonho é chegar às editoras! Vermos o nosso trabalho valorizado a um nível máximo. Contudo, por vezes (muitas vezes), isso é difícil. Essas recebem milhares de propostas e têm depois de enquadrar essas propostas nos seus planos editoriais, o que faz com que as oportunidades para novos autores, seja escassa! Com isto, e por mais que acreditemos no nosso trabalho, e de que ele é bom, começamos a pensar nas editoras Vanity. E que elas nos ajudem a afirmar o nosso livro no amplo e complexo panorama literário.

Após este sofrimento, que pode demorar até uns amargos 6 meses, começamos a equacionar tudo e mais alguma coisa. Neste desespero, acontece que por vezes os autores aceitam qualquer proposta que lhes chegue. E é muito fácil ficarmos enganados em e-mails mansos e cheios de promessas, ou mesmo em propaganda de redes sociais destas editoras. É neste ponto que vos quero ajudar. Que vos quer dar algumas dicas que ou fui aprendendo, ou me ensinaram. Vamos lá?

  1. Antes de enviares e-mail para qualquer uma destas editoras, procura conhecer o site deles, quem são, como trabalham e autores que já publicaram. Procura também falar com alguns, se possível. Nos dias de hoje é bastante fácil: quer seja uma página de Facebook, quer Blog ou até Instagram.
  2. Após teres feito o teu trabalho de casa, e logo nos primeiros e-mails, analisa bem a proposta.
  3. Procura saber como funciona a distribuição (Bertrand, Fnac, Wook, CTT, Continente, Note!, Livrarias Tradicionais, Google Books, Amazon, etc.).
  4. Pergunta se têm presença nas principais feiras do livro ( Exemplo: Feira do Livro de Lisboa e do Porto), bem como em outros eventos culturais (em que muitos deles até se vende mais que nas Feiras dos Livros!).
  5. Vai guardado todos estes e-mails que antecedem o contrato. Serão importantes se, mais tarde, quiseres rescindir o mesmo (claro que o contrato terá de ter, de alguma forma, estes pontos).
  6. Verifica se o número de telefone ou telemóvel da editora funciona correctamente e se é fácil entrar em contacto com eles por este meio.
  7. Se possível, desloca-te à editora para a conhecer pessoalmente.
  8. Se estás contente com o que te dizem, começa a analisar a cópia do contrato. Verifica se está lá mencionado o prazo máximo para edição da obra, o envio ao autor de um PDF ou outro tipo de ficheiro referente ao livro revisto (para que possas confirmar esse trabalho) bem como de te mostrarem a capa e outro tipo de formatação com antecedência definida face à eventual data de publicação do mesmo.
  9. Confirma o número de exemplares disponíveis e se estarão sempre disponíveis e em circulação.
  10. Procura saber como é feita a publicação do livro em formato digital.
  11. Procura saber a frequência com que vais ter Relatórios de Venda.
  12. Certifica-te que a editora, e só ela, fica responsável pela sessão de lançamento seguindo as tuas sugestões de modo a optimizar-se ao máximo a divulgação da nova obra.
  13. Lembra-te que a data de lançamento tem de ter em conta diversos factores como época do ano, estação, outros eventos locais ou até nacionais, e até a pensar em quando as pessoas normalmente recebem o seu ordenado.
  14. Tenta compreender como será feito o marketing e possíveis promoções, divulgações e as press releases.
  15. Pergunta se vão usar o Facebook com publicações Patrocinadas da tua obra e se irão partilhar críticas/reviews feitas, citações chamativas da obra, entrevistas que dês, etc.
  16. Pergunta quais os blogs literários a que mandem os livros. E nota que por vezes um meio ter mais pessoas, não significa necessariamente que esse blogger ou youtuber tenha menos atenção, relevância e público que contas com menos seguidores.
  17. Assegura-te que a comunicação com a editora é boa e que se comprometem a responder sempre o mais rápido possível às tuas sugestões. Mais importante, que esta comunicação CONTINUE após a publicação do livro.
  18. Pergunta como é feito o pagamento dos direitos de autor e, se não atingir o valor para a transferência dos mesmos, se podes ter o valor equivalente em livros.
  19. Se estás contente com todos estes pontos, assina. Se não, procura fazer-te ouvir e sugerir alterações.
  20. Continua a guardar os e-mails!

Já referi nos pontos, mas tenham atenção para não caírem nas propostas que vos digam que os vossos livros vão estar garantidamente nas Bertrand, Sonae, Fnac, etc. Estes meios funcionam por meio de interesse na obra, potenciado pelas press releses que as editoras mandam após a publicação, ou até por meio do número de vendas que o livro teve na plataforma Wook. Posto isto, procurem que a editora quando vos fala, seja transparente sobre como “este meio específico”, funciona!

Claro que terás muito trabalho pela frente no que toca ao marketing e divulgação. Algo que até já falei em Dicas: O marketing! e Apps para leitores e autores. Com isto, por vezes, começamos a perceber que a nossa história nem está assim tão boa ou então, em muitos dos casos, que o mundo é mesmo injusto. Prometo fazer uma publicação sobre o primeiro ponte que enunciei na frase anterior, sendo que podem ver já algo em O PRIMEIRO CAPÍTULO DE UM LIVRO. Já com o segundo ponto, encerrarei esta Página de hoje. E porquê? Porque muitas das vezes ou não arranjamos uma editora e não queremos uma Vanity, acabamos por ficar presos. Com medo de que o amor que sentimos pelo nosso manuscrito e trabalho que nele depositámos, nunca será reconhecido. E é com este pensamento que vos quero apresentar uma alternativa: as edições de autor.

Existem autores que pensam que se não tiverem uma editora, ou até mesmo se não for um livro físico, isso faz deles “menos escritores” ou menos que os outros. Mas sabemos que isso não é verdade. Na verdade, e se formos a ver, estas Vanity são quase Edições de Autor, e o mercado de e-books tem vindo a crescer ao ponto de termos uma grande aposta dos grandes grupos, como LeYa e Porto Editora neste segmento. Mas vamos por partes:

Nas edições de autor, claro está, o autor fica encarregue mesmo de tudo. De transformar o seu manuscrito, ou original, num livro. E com isto, todo o trabalho de marketing, marcação de eventos, e etc… A festa continua. Contudo, existem alternativas que possibilitam este trabalho de uma forma mais facilitada. Assim, vou falar-vos da Escrytos, da LeYa (podem ler aqui um artigo que fala da sua criação, pelo jornal Público).

Com a Escryos têm total controlo do preço do livro, recebendo 25% do valor fixado por vocês (podem até meter um preço de 0€), sendo que o próprio processo de publicação é gratuito e todo ele ilustrado pela plataforma. Mas depois onde ficam os livros disponíveis? Ficam na LeyaOnline, Amazon, Apple Store, Barnes & Noble, Google, IBA, Kobo, Livraria Cultura, Submarino, Wook. Sou sincero, muitos destes locais, são muito mais do que as Vanity oferecem. E por mais que seja diferente o mercado do livro tradicional, quando o livro não chega às lojas, então qual a verdadeira diferença entre o digital e o físico?

Na Escrytos podem também, contudo, recorrer a alguns serviços, pagos ou gratuitos, que vão desde um Parecer Editorial, Edição, ISBN, Capa (gratuito), Conversão em formato e-book, Book Trailer, e etc. Tudo disponível no site e de forma acessível!

Para além desta plataforma de publicação, têm ainda o Wattpad. O Wattpad é uma rede social mas que vos pode também dar um outro destaque e público até então não possível. É gratuito e pode ler quem tem a aplicação ou então um navegador de internet à disposição!

Espero que tenham gostado desta publicação que estreia a nova rubrica do blog! Tentarei dar-vos sempre todas as dicas do que aprendo, e fui aprendendo, para que possam ou estar mais conscientes, ou compreender melhor este mercado editorial.

21 Replies to “O Caderno do Diogo: As Editoras (Dicas de Publicação e Conhecimento Editorial)”

  1. Olá Diogo!
    Excelente artigo!
    Publiquei os meus 3 livros editados até ao momento com editoras Vanity. Era jovem e sem experiência. Jurei não repetir, no mais recente nem à venda o colocaram.
    Segui caminho sozinha e não me arrependo.
    Ana

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    1. Olá Ana!
      Em primeiro lugar muito obrigado pelas palavras! Quando meti na cabeça escrever um artigo assim, queria passar tudo o que aprendi com os dois livros que publiquei, também com editoras Vanity, e experiências de conhecidos. Assim estou como tu: jurei não repetir mais. Temos também de ir reconhecendo o nosso valor e o que escrevemos. Algo que vamos construído e aprendendo.
      Obrigado e fico feliz por esse caminho.

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      1. Espero que muitos mais autores sigam este caminho para que estas editoras aprendam a dar-nos valor e percebam que foi graças a jovens autores, como nós, que elas existem. Um bom domingo!

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      2. Espero o mesmo! Atende muito à criticidade da nossa população, mas vamos sempre esperar pelo melhor! Beijinhos e um bom domingo.

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      3. Infelizmente, há muitos autores que desconhecem a realidade e as editoras também tentam que certos pormenores não saiam cá para fora. Como me foi dito que estava sob sigilo. Beijinhos.

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      4. Cabe “a nós” tentar ajudar e dar a conhecer esta realidade! Beijinhos 🙂

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      5. Sem dúvida! Quando saí alertei alguns autores para ficarem de alguns em alguns pormenores; infelizmente, a editora continua com o mesmo método. Os livros não chegam ao mercado…

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      6. E pelo que sei, no caso da Chiado E., os livros nem vão para as Fnac´s porque eles próprios já questionam a qualidade literária. O problema é quando o sonho fala tão mais alto que os autores esquecem de dar valor ao trabalho que têm e pensam que se não tiverem “um livro publicado”, são menos que os outros. Claro está que na maior parte, os novos autores, acabam por não ter contacto com os problemas ou não percebam como funciona o mercado e são enganados com promessas falsas.

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      7. Sobre a Fnac daquilo que soube também é traiçoeira, soube de casos de colegas que o livro esteve exposto enquanto decorreu o lançamento e depois disso foi para armazém. É um desrespeito e depois vêm com concursos para jovens talentos…

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      8. Isso sim é muito triste! Mas a própria organização literária da Fnac é terrível. Eles metem quase tudo amontoada sem qualquer possibilidade de um leitor perceber o que é novo, não é.

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      9. Na questão da Chiado, apenas trabalhei como parceira; mas custa-me a perceber que editores eles recrutam que deixam publicar livros com o texto cheio de erros de formatação. E já não falo dos ortográficos porque já vi casos que são uma calamidade.

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      10. Pelo que soube, eles são mesmo obrigados a publicar tudo! É muito triste e vergonhoso!

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      11. Vamos esperar por alguma alteração profunda a este mercado nada regulado!

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      12. Rezo que a Amazon se instale cá, aí é que tudo vai mudar. Nunca percebi como é que estas editoras aconselham os autores a colocarem os livros num mercado concorrente. É bizarro.

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      13. Achas que poderia acontecer alguma mudança neste segmento? Fiquei agora muito interessado nisso! Mas sim, é bizarro! E as nossas próprias editoras também. Há livros que publicam que não são mesmo nada de jeito. E magoa, quando depois conhecemos pessoas com verdadeiro potencial e originalidade e não lhes são reconhecido valor!

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