A Vida do Espera

Hoje trago-vos um tema diferente. Um pelo que, talvez, esperavam. Talvez quase batido na blogosfera, mas impossível para mim de ser ignorado. Por isso, vou começar mesmo pelo início…

Esperamos nove meses para nascer, aconchegados no ventre de nossas mães, para depois esperarmos para aprender a rastejar, gatinhar, falar e fazer os primeiros disparates. Esperamos igualmente pelos primeiros presentes, pela primeira desilusão, para depois esperarmos para ultrapassar a nossa vergonha. A espera para entrar na Creche não costuma ser muita, já que a vontade não depende de nós. Mas lá vamos, relutantes. À espera de encontrarmos medos que julgavamos não acontecer, muito pela falta de noção de que os nossos pais se nos deixam lá, irão voltar. A falta de segurança.

Mas já que esperamos tanto por chegar até aqui, também ansiamos pelo dia em que entremos na escola primária. Após isso, a espera para acabar cada aula é quase que repetida, e batida, ao longo de doze anos. Esperamos por encontrar amigos, por fazer testes, e quase que imploramos para que a espera por saber as notas, seja sempre maior à dos outros eventos. Elas lá chega, e depois é só mesmo uma questão de tempo até termos de contar aos nossos pais, que tão ansiosamente esperam por saber o nosso desempenho.

No meio desta lenga-lenga, damos por nós a desejar por fazer dezoito anos. A mítica idade que parece que tudo nos vai dar. A esperar também pelo nosso primeiro amor, e com ele, a nossa primeira vez. Ou ao contrário, sem esperar sequer por qualquer idade já que a mesma, é só um número. Após conquistas no coração e na alma, esperamos por ter responsabilidade. Por tirarmos a carta de condução. Em que iremos vaguear pelas ruas das nossas cidades, ora sozinhos, ora esperando que um semáforo mude de cor, esperando que peões acabem de passar a passadeira, ou mesmo as esperas infernais pelos nossos amigos.

No meio disto, quase que esquecemos do resto. Que tudo tem o seu tempo. Talvez pelo modo como a sociedade nos obriga a crescer quando não estamos aptos para tal. E não num sentido obscuro. Mas pela falta de preparação para a vida adulta que enfrentamos atualmente. Com isto, sabemos apenas que valemos números para os cursos que queremos seguir na universidade. A espera é quase sufocante, e as dúvidas, quase só se dissipam no último ano universitário. Mas até lá, esperamos e desesperamos pelas aulas, as praxes, as semanas académicas e jantares sem fim. Esperamos pelas frequências e pelo dia em que veremos o diploma nas nossas mãos, e as lágrimas nos rostos dos nossos familiares. Eles, que tal como nós, esperaram por aquele dia. Por nos ver conquistar algo tão nosso, mas também tão deles.

Aqui procuramos, na nossa vida de jovem adultos, a compreender o verdadeiro significado de esperar. Do que é essa arte. Quer seja pelo primeiro emprego, ou pela desilusão em perceber que nos pedem sempre dois anos de experiência quando mal acabámos de nos formar. Esperamos pela nossa oportunidade, enquanto a sociedade nos olha de lado. Crítica. Sem compreender como não fazemos nada. Quando “há tanto emprego, mas sem gente para trabalhar”. Parte disso é bem verdade, outra não.

Esperamos também que este mundo cruel nos permita sonhar mais um bocadinho. Ter esperança de que as ambições e desejos que tínhamos meses ou anos atrás, se possam concretizar.

Mas não. Por isso seguimos os outros, e esperamos já por qualquer emprego e aceitamos com empenho. Conhecemos a nossa realidade! Após isto, não demora até percebermos as condições precárias, o salário baixo. Começamos a perceber que teremos de esperar até termos uma vida independente, só nossa. Numa casa ou apartamento possível de suportar, para depois esperarmos mais um pouco até conseguirmos estruturar a nossa vida para constituir uma família.

Talvez estejas cansado de ler este texto. Do quanto tiveste de esperar pelo seu fim. Mas a vida é mesmo assim: feita de esperas. Algo que advém disto, é os outros, que esperavam que, por esta altura, fôssemos como eles. Não tivéssemos de esperar por ter bom trabalho, uma casa e família.

Mas iremos esperar… sempre…, acreditando que o que está no virar dos ponteiros da vida, seja algo pelo qual tenha valido a pena esperar.

Porque

quem espera,

sempre alcança!

Um pensamento sobre “A Vida do Espera

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