O (meu) teu luar

Nem no verão o frio dos lençóis desaparece. Que a sensação de solidão se abate.

Não!

E é assim, logo pela manhã, que olho para o meu lado. Aquele em que costumavas dormir, sabes? Que costumavas olhar-me, pela manhã, quando o meu cabelo ainda estava todo espetado e o teu numa autêntica confusão, e que me beijavas.

O calor dos teus lábios ainda se faz sentir nos meus, feridos de tanto os morder. Feridas que não se conseguem comparar à minha interior.

Mas então algo mudou… Alguém entrou na minha vida. Alguém que, aos poucos, trouxe o que tinhas levado sem permissão. Porque, não sei se percebes, mas comigo, as coisas são para serem dadas como um presente. Não para serem roubadas e despedaçadas, como quem dá um pontapé numa pedra no meio da rua. E essa pedra não te tinha feito mal nenhum. E eu não tinha feito mal a ti. Mas a verdade é que eu, por alguma razão, fui tomado como garantido. E aquele amor fugaz que me nutria, foi-me matando. Uma chama que em vez de nos envolver, me consumiu. Me devorou, porque deixaste. Porque acreditavas que a outra pessoa fazia melhor que eu. Que te dava mais que eu, sabendo nós o quão mentira isso era. E é!

O meu coração desabara, mas então alguém me deu uma prenda que não esperava. O tempo deu-me uma prenda que não previa, nem num século. Deu-me alguém que pegou no que de mim restava, e… e não tentou colar. Não tentou remediar. Simplesmente tentou ouvir. E com isso compreender. Amar-me! Sentir-me. E, naquele que é dos momentos mais repetitivos da vida de uma pessoa, como o nascer e findar de um novo dia, pude finalmente perspetivar um novo amanhecer. Um que tinha quem me regenerou. Que trouxera, de novo, o melhor de mim. Que pegasse na minha alma, e a tocasse com cada gesto, cada palavra, sussurro. Cada respiração…, cada gemido.

É para ti que falo agora… Em como os nossos corpos fundiram-se, como um só. Se dançaram e juntaram, como um puzzle que sempre estivera destinado a ser montado assim. E se tu para mim eras o nascer do sol, eu para ti passei a ser a lua, que mesmo depois de todas as minhas fases, consegui voltar a brilhar, por ti. Por quem me reergueu.

Agora acordo “somente” triste pelos lençóis frios, que guardam como nós as memórias das nossas noites. Não sinto vontade de desabar por completo, nem os cacos do meu coração recuperar. Porque? Podes perguntar… Porque eles não ficaram comigo. Foram, pela primeira vez, levados. Por ti. Por quem pela primeira vez, permiti. E é neste sonho selvagem, que irei adormecer, sabendo que estarás a olhar para o luar, tal como eu. Que a tua voz ressoará na minha cabeça, tal como a minha na tua, para juntos, fazermos os planos que outrora não tiveram sido possíveis. Aqueles que sei que mereço. Aqueles que sei que tu, mereces.

 

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