A Co-Piloto

 

Há uns meses, nunca pensei estar a sentir esta saudade. Esta nostalgia que me caiu como que de para-quedas, nesta fase da minha vida em que novos projetos me ocupam o tempo. Nunca pensei, sequer, pensar nisto por não usar carro. Por ter agora a minha autonomia com os transportes públicos. Todavia, ao o ter, é certo, sinto as saudades do meu carro. Dos sítios que ia livremente com ele. Sem horários. Fizesse chuva, ou sol.

É quase disso que venho falar. De como se fechar os olhos, consigo retroceder um ano. Consigo voltar para aquele tempo de Licenciatura, e lembrar-me do que era andar com a minha melhor amiga. A minha co-piloto. Aquela que me animava. Que mandava vir com os outros condutores, tal como eu. Me ralhava se tivesse faltado algum pisca, ou até mesmo pelo excesso deles. Se não é 8, é 80, não é?

E das vezes que íamos ao shopping comer? De como ela sabia exatamente onde eu queria estacionar, e até mesmo o momento exato em que eu tinha o hábito de desligar o rádio, pelo barulho pouco melodioso da estática, no piso -2.

Saudades de quando cantava. De quando metia o rádio no volume máximo, implicando sempre quando abria o seu vidro quando ela não o tinha pedido.

Mas agora eu pedia por ela. Por aquele terço de vida que tive, e de que agora, sinto falta.

À minha co-piloto. Espero por mais aventuras nossas! Quer sejam em contra-mão, ou sem os faróis ligados.

Um pensamento sobre “A Co-Piloto

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