Para ti, minha avó!

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Em pequeno era contigo que ficava. Todos os dias. Desde quando abria os meus pequenos olhos castanhos, quando os meus pais me deixavam ao teu cuidado, até ao final desse mesmo dia. Onde chorava por me separar de ti. Mas depois voltava novamente para o meu lar. E, sejamos sinceros, era a casa em frente. E, sabendo que haveria um novo amanhecer, a minha vida foi sempre assim.

Ou assim pensei eu. Pelos vistos crescia. Ficava maior. Mas não em largura… Comer era um sacrifico. E só tu, com a tua paciência, me davas comida à boca. Me davas comida com a máquina de lavar roupa a trabalhar. Com o aspirador ligado. Ou, até mesmo, comigo a olhar para as galinhas. Vendo tudo isto agora desta maneira, claramente que não era fácil… Mas, verdade seja dita, como poderia piorar?

Bem… cresci novamente. E, seis anos passaram e tive de ir para um jardim-escola. Mas só para comer. Eu era terrível. Mas lá as coisas foram melhorando. Sendo que, para além dos amigo que comecei a fazer, a saudade também me acompanhava.

Depois disto… não me lembro bem. É como se tivesse levado uma data de pancadas na cabeça, que me fizessem como que esquecer. Fragmentos de memória que, teimam em se juntar para formar algo do meu passado, em criança, para só me lembrarem destes momentos do presente. E que presente é ter-te a ti. Ter-te sempre a cuidar. Sempre a ligar-me para te ir arranjar a televisão, ou para ajudar no cão, que dizes te “tombar ao chão”. Para perguntar se a minha mãe quer alfaces, pepinos, cebolas, morangos, cerejas, feijão e toda a espécie de hortaliça que, mesmo após os teus 80 anos, continuas a plantar. A trabalhar.

A memória já vai falhando de vez em quando, mas a experiência da vida, fica. Permanece, imaculada, e vivida quando contas, pela milésima vez, mais uma das histórias que só tu, só tu, podes contar.

Às vezes sou refilão contigo. Não dou os beijinhos que devia, e a vida de estudante não permite que, por vezes, te vá visitar como gostaria todos os dias. A toda a hora. Mas sei que, para mim, estarás sempre lá. Quer para me mimar, quer para encher o estômago com a característica “comida da avó”. Porque tu és a minha avó, e eu gosto de ti. Porque és a minha avó, e és como uma segunda mãe, ou mais. Porque és a minha avó predileta, e te amo…

Originalmente escrito a 26 de julho de 2017, com o título “Tu, e só tu!”

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