O Primeiro Capítulo de um Livro

Bom dia, como estão? 🙂

Foi durante a minha viagem de ontem, em que regressava do Porto para Leiria com a chuva a chicotear violentamente o carro, que tive uma ideia! Não propriamente algo que não tivesse pensado antes, mas a vontade de o fazer agora. Nesta altura em que procuro dar mais atenção aos meus dois blogs (se o trabalho do mestrado não me matar em breve).

Atendendo a que muitas visualizações do blog se concentram nos Exclusivos do “Esquecido”, ou seja, o leque de artigos da gama “Como se faz um livro?”,  achei por bem dar o meu pequeno contributo referente a como começar o dito cujo. O livro, claro!

Vamos lá?

Capturar

Quando começares a escrever o primeiro capítulo…, ou melhor: quando fores escrever o primeiro rascunho do primeiro capítulo, acredito que quanto mais souberes da tua história, o melhor.  A importância, claro está, do planeamento, quer de ideias, quer da narrativa. A acrescentar a isto, a importância que é os livros que leste até ao momento. E porquê? Vou já explicar!

A porta de entrada

O primeiro capítulo é sem dúvida o primeiro contacto que o leitor tem para com a história. A história em que está prestes a mergulhar. A sinopse é sempre importante, claro, mas se alguém a ler e face ao interesse, for olhar as primeiras páginas, tanto pode voltar a arrumar o livro, como o meter na sua lista de desejos. Pretendemos sempre que se trate da segunda opção. Dito isto, nesta importante etapa do processo e que irá, eventualmente, delinear toda a história, torna-se importante que seja onde se pense as coisas com mais moderação. Não de modo a interromper o nosso processo criativo ou a criar algo completamente “artificial”. Nada disso! Mas com a noção de que vamos apresentar ao leitor as personagens e aquela que é a narrativa. Assim, o que sugiro:

  • Que apresentes a personagem principal e/ou ambiente circundante;
  • Que seja um capítulo frenético, não sendo necessariamente em ação mas em vocabulário, que dê ao leitor uma sensação do que pode esperar para a restante história;
  • Introduzires a história, criando mistério/suspense para a mesma;
  • Eventuais “pequenos mistérios”, mas que possam estar ligados àquele que irá ser resolvido no final do livro;
  • Bom uso da gramática e vocabulário.

Importa denotar que não podemos esquecer as doses em que os pontos que enunciei aparecem. Não podemos cair no erro de aborrecer o leitor, ou de querer apressar tudo.

2 de julho de 2016

Olá diário,

Mais um dia de férias que passou… nem acredito que há três semanas estava a desfalecer com a quantidade de frequências que tinha pela frente… Graças a Deus (e a mim) que consegui fazer tudo à primeira! Andava a dar já em doida com folhas e mais folhas. A minha única vontade, sabes qual era? Fazer fogo com elas! Mas por falar em folhas…

Encontrei-te, meu diário, no quarto ali ao lado. Aquele que me custa ainda entrar ao fim de… bem… na verdade não te consigo ainda falar desse quarto, mas… Ai, mas o que estou a tentar dizer é que a ti não irei atear fogo. Não! As tuas páginas são muito bem-vindas na minha vida e mal posso esperar para preencher as folhas que restaram.

No excerto que vos mostro, da série “P.S.: Ficas Comigo?”, como foi uma história criada para ser lida em frente a um ecrã e numa plataforma específica, procurei ao máximo seguir aqueles princípios que acho fundamentais. Um ecrã é sempre diferente de um livro em formato físico, assim não foi de estranhar os diversos momentos de presságio que os leitores iam tendo não só no primeiro capítulo, como nos subsequentes. Momentos que vos deixo como exemplo do que fiz.

Neste seguimento, revelo a pesquisa rápida que fiz antes de escrever este artigo. É neste seguimento que vos deixo com a sugestão que encontrei no blog  Corrosiva, e que resume o que vos falei e mostrei:

Deixe seus leitores curiosos. Para que sua obra tenha um maior dinamismo, é importante que questões sejam apresentadas e respondidas em cada capítulo. Isto significa que cada capítulo pode levantar pequenos mistérios que vão sendo solucionados nos subsequentes. Resumindo, seria algo próximo disso:

  • Capítulo 1: apresenta um grande e um pequeno mistério;

  • Capítulo 2: soluciona pequeno mistério do capítulo 1. Apresenta um novo pequeno mistério;

  • Capítulo 3: soluciona pequeno mistério do capítulo 2. Apresenta um novo pequeno mistério, e assim sucessivamente;

  • Último capítulo: soluciona grande mistério descrito no capítulo 1.

Ou seja, a junção entre um capítulo que intrigue quem o lê, dinâmico, enérgico, com tensão, procurando deixar pequenas pistas para o que vai acontecer nos capítulos seguintes e até, quem sabe, enganar o leitor com pistas e mistérios que estão longe do que seria de esperar! Com isto, ter o cuidado para não se revelar logo tudo, como vos disse anteriormente. Procurar que pensemos “fora da caixa”.

As 3 Perspectivas

Contudo, temos de permitir as próprias personagens terem a sua vida como a dos comuns mortais. É por essa razão que considero de igual importância sabermos ler  o que escrevemos mediante três perspectivas. Aqui entra a parte da leitura que comecei por referir neste artigo.

  • A perspectiva de um leitor;

Termos a noção de que estamos a escrever um livro que iremos querer ler. Que não existe mais nenhum assim no mercado, e é por isso mesmo que o estamos a criar. Como um filho.

  • A perspectiva  enquanto autor;

Após a leitura com o olhar de quem passa a vida a ler, temos de ter consciência de que nem tudo o que estamos a escrever interessa, de facto, ao leitor. Frases muito compridas, ou pontuações mal feitas podem igualmente surgir. É comum estarmos perdidos no nosso mundo imaginário quando estamos a escrever. Erros, incongruências ou “momentos a mais” são comuns. Para mim, é sem dúvida das partes mais difíceis. É quando se aprende que por muito bonito que o que tenhamos escrito seja, por vezes é necessário cortar. Cortar, cortar e cortar.

  • A perspectiva de uma editora.

Vivendo nós num país onde o mercado editorial é muito selectivo, com livros que de literários, quase nada têm, torna-se importante conseguir chamar a atenção às editoras. Para que elas tenham a ousadia de apostar em nós! E sem dúvida que este primeiro capítulo é o momento para isso.

É nesta altura que se torna importante, no nosso momento de escrita e/ou revisão do manuscrito, conjugar as duas primeiras perspectivas. Perceber então aquilo que funciona, não funciona. O que pode ser melhorado. Se exagerámos demasiado e não permitimos tempo para a própria história e o leitor respirar. Daí a importância da leitura para nos apercebemos destes factores. A escrita é igualmente importante, com o bom uso da gramática e da língua em que escreves. A vergonha quanto à incerteza da mesma também não deve importar. Devemos sabermos admitir que temos dúvidas no uso de determinadas palavras, expressões, tempos verbais, sinais de pontuação, … Especialmente com a inclusão do acordo ortográfico que poderá baralhara ainda mais as coisas.

No entanto, tenho de manifestar que acho este ponto muito subjectivo. Mas só por uma razão: por cada autor ter a sua própria maneira de escrever. A sua identidade literária e que, por vezes, é assim por escrever na primeira pessoa (por exemplo), e fazer parte da personalidade da personagem ou da situação em questão. Algo que, na grande maioria dos casos, é até explicado indirectamente ao longo do livro. Infelizmente nem todas as editoras têm a disponibilidade de analisar as centenas de originais que recebem da mesma forma. Daí, a meu ver, adoptarem diferentes estratégias de análise e selecção. Contudo, no meio deste processo, acredito que existem mais penalizados do que beneficiários (não num sentido pejorativo!!!).

Neste processo tenho de confessar a ajudar que tive do nosso Eça de Queirós, ou até mesmo da J.K. Rowling, ao acreditar que ambos têm aqueles pontos que vos mencionei. É importante reforçar que a minha experiência também não se pode comparar a muitos autores, mas é das coisas que mais gosto na escrita. E porquê? Porque é impossível um mesmo autor manter sempre a sua escrita coerente, por mais livros que tenha publicado. O ser humano está sempre em constante aprendizagem, e isso traduz-se na maneira como olhamos e interpretamos o mundo. Algo que é depois transposto para as palavras. Para as personagens que começam a crescer juntamente com o autor. Ou até mesmo dentro de um só único livro, à medida que vamos conhecendo o mundo acompanhado por elas. Num processo “conjunto” e “sem fim”.

O que vos apresento está longe de ser completo, ou até mesmo coerente. Afinal de contas,  se nem para a vida existem receitas, quanto mais para uma história também ela cheia de vida? Pelo que vos pergunto:

E vocês? O que acham? Concordam, não concordam? Mais pontos que achem fundamentais e mereçam ser referidos?

4 pensamentos sobre “O Primeiro Capítulo de um Livro

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