O Romance nas Minhas Histórias…

– Nunca senti por ninguém o que sinto por ti. Eu não sou mulherengo. Acredita em mim. Tenho amigos que me criticam por não me aproveitar de algumas miúdas que me aparecem à frente. Mas o facto é que não me apetece, eu não sou assim. Dou valor às pessoas. Tu é que tens valor para mim. Tu és o meu tesouro, o que eu procurava. Eu amo-te!

O Bater do Coração, Diogo Simões – Chiado Editora (2014)

Foi em 2010 que iniciei a minha aventura na escrita. Com as minhas séries iniciais, cheias de disparates e erros que me fazem hoje arrepiar os cabelos, os casais que criei foram bastantes. Deste a minha primeira série, com o título de Traição, até à minha série mais conhecida: Em Busca da Felicidade, que me inspirou para a escrita d´O Bater do Coração.

Claro que dessas séries e mini-séries, passando por todos os géneros literários, criar o romance e os momentos entre as personagens é algo único, diferente, divertido, sexy e desafiante. Muito desafiante.

Desde paixões em cidades imaginárias, como era no Sims, até a personagens fora deste mundo e com passados obscuros. Claro está, a passagem por épocas em que o amor tinha de ser mais contido, e quase que escondido (O Bater do Coração, por exemplo). Foram muitas as horas dedicadas a personagens inesquecíveis para mim, e que levaram aos momentos de romance que hoje escrevo para vocês. Que levaram às minhas personagens favoritas, como a Laura e o Chris de O Bater do Coração,  o Pedro e a Sofia de P.S.: Ficas Comigo?, e o Duarte, Filipa, Marta e Ricardo, do Esquecido:

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Criar estes momentos está longe de ser fácil. Nós somos como somos por meio das nossas experiências. Momentos estes que influenciam a maneira como interagimos com os outros e levam a que consigamos confiar em alguém e a dar-nos de uma maneira apaixonante, ao ponto de querermos desesperadamente criar novas memórias com essa pessoa.

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Nos livros isso é mais engraçado, pois tento sempre dar os dois pontos de vista das personagens para que o leitor consiga saber o que se está exactamente a passar, e o que possa ter levado uma personagem a ter um determinado comportamento. Talvez por este mesmo motivo, digam que escrever em primeira pessoa seja mais difícil. Pois bem, eu acho fascinante. Poder mostrar ao leitor o crescimento da personagem por meio da escrita, que se traduz em comportamentos e maneiras de pensar que levam a um clímax cada vez mais crescente.

No Bater do Coração, dos momentos que mais adorei, foi sem dúvida a primeira vez em que as personagens principais se envolveram intimamente. Havia todo um passado que ambas as personagens tinham e estavam a lidar, e que não poderia ser ignorado, pelo que dar essas páginas aos leitores, revelou-se fundamental para passar a máxima que é: não devemos julgar os outros pela aparência. Ou melhor dizendo: por aquilo que uma personagem viu numa primeira instância.

Ele afastou-se gentilmente.

– Desculpa. – Estava embaraçado, mas mostrava o

seu sorriso rasgado.

– Tudo bem. – Balbuciei.

– gostaste? – Perguntou rapidamente, corando à

medida que as palavras saiam da sua boca.

Assenti com a cabeça.

Cheguei a minha mão para perto da dele, onde foi

gentilmente agarrada e reconfortada com uma carícia.

– Mas eu agora não estou preparada para um

relacionamento… Muita coisa…

– Muita coisa aconteceu, eu sei! – Completou.

– Mas um amigo seria bom.

Sorriu.

– É a primeira vez que vejo um sorriso verdadeiro

na tua cara. Escondes-te tanto atrás de máscaras. Porquê?

Não gostas de mostrar o que sentes?

Engoli em seco.

– O Bater do Coração, Diogo Simões – Chiado Editora (2014)

Depois deste momento, outros se seguiram, nomeadamente com a publicação do P.S. no Wattpad, passando depois para o mais recente livro: Esquecido. Em ambas as histórias, decidi abordar este assunto de uma maneira nova, porque sejamos sinceros: alguém disse que o amor era simples? Fácil? Longe disso. No amor devem ser duas pessoas que respeitam o espaço de cada uma, que respeitem os seus momentos em conjunto como em separado. Com isto, o respeito, a confiança, formam um pilar que trará as suas ramificações. É o que acredito.

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É algo que fui pondo à prova nas minhas histórias, estando aliado a isto, a questão da oportunidade. Não só as que damos aos outros, mas as que damos a nós próprios para sermos felizes. Para também, por vezes, nos perdoarmos.

Como a vida não é perfeita, e muito menos o amor, o mesmo é transposto para as histórias, desafiando-me sempre a criar momentos de choradeira para os meus leitores. Espero que não me batam por isso.

No Esquecido ainda decidi brincar mais com a importância que alguém especial tem na vida de uma pessoa, por meio da perda de memórias do protagonista. Mas será que as coisas são realmente como aparentam ser? Aliado a este mistério, ainda criei, pela primeira vez em livro publicado (o Uivares foi o primeiro), um romance entre pessoas do mesmo sexo, vivido por uma outra personagem. Esquecido é assim o livro mais inclusivo que alguma vez escrevi, com os temas mais dominantes e alvo de debate da atualidade. esquecido

O esforço que fazia para procurar as coisas na minha cabeça desarrumada era tal, que acabei por desistir. Nada aparecia. Nem uma simples imagem. Absolutamente nada!

Tentei procurar por coisas básicas. Procurei pelo soprar das velas do meu décimo nono aniversário. Procurei pela possível prenda de anos dada pela minha mãe – que era algo a que daria grande importância pelas dificuldades por que passávamos -, mas nada apareceu.

Procurei por um pai violento, ou por umas nódoas negras.

Procurei por um beijo de boa noite, por um abraço amigável. Procurei por uma noite de cartas com a minha irmã ou por um evento familiar. Procurei por uma namorada, por alguém especial.

– Esquecido, Diogo Simões – Cordel d´Prata (2018)

*******

– Como reagi? – arranjei coragem para perguntar, já mais calmo.

– Ficaste aliviadíssimo! Notou-se mesmo na maneira como voltaste a erguer os ombros. E depois abraçaste-me. Disseste que estavas mais descansado. E que nada poderia separar a amizade que tínhamos. Que haviam coisas “mais importantes” com que nos deveríamos preocupar. Como a minha felicidade. E tu naquele momento soubeste o feliz que eu estava por ter contado ao meu melhor amigo o que se passava dentro de mim. Depois quase me deste um murro por te ter deixado preocupado da maneira que deixei… – Confessou, rindo-se por entre as lágrimas como se a memória lhe estivesse a ser projetada.

– Esquecido, Diogo Simões – Cordel d´Prata (2018)

Espero, portanto, que tenham gostado deste post! Um post em que procurei refletir com vocês como tem o romance evoluído nas minhas histórias. Sinto que vos traí em parte, mas não vos posso revelar tudo o que está nas entranhas das minhas histórias, da vida das minhas personagens. Algo que vos deixo para descobrir para tirarem vocês as vossas próprias ilações, sem interferências! Espero, contudo, que tenham compreendido como o amor é complicado. Como qualquer coisa que se escreva dele, de objetivo, tem pouco. Que tem diferentes variáveis, jogadores e regras que, talvez, nunca consigamos de todo compreender. Mas hoje, dia dos namorados, e também ele alimentado por notícias que dão conta da violência do namoro entre jovens (e que é consentida pelos mesmos), achei importante consciencializar como eu e todos os autores procuramos escrever para elucidar os nossos leitores. Que cada um de nós merece respeito, e alguém que nos trate com valor, cuidado, dedicação. Afinal, somos humanos, cometemos erros, é certo, mas temos de confiar em nós. Nos nossos valores, e de como a nossa liberdade tem limites. Limites este que se passam quando interferimos negativamente com a “do outro”.

Agora, façam com o Pedro e a Sofia, e combinem algo com quem vos faz bem. Quer sejam vossos familiares, amigos, namorado/a, ou até colegas. Sejam felizes! Verdadeiros com vocês e para com aqueles que amam!

Beijos e abraços,

Diogo

“Olá miúda 🙂

Hoje os meus pais irão ver um filme com o um irmão, pelo que teremos tempo para vermos a nossa merecida continuação. Que te parece?

Beijinhos,

Pedro”

– P.S.: Ficas Comigo? (2016-2017), Diogo Simões – Wattpad

O Bater do Coração, romance publicado pela Chiado Editora em 2014, está disponível em todas as livrarias do país, bem como nas suas lojas online. Também presente no Brasil.

Podem saber onde comprar aqui!

P.S: Ficas Comigo? foi uma série, agora disponível por completo e de forma completamente gratuita na plataforma literária Wattpad.

Podem ler no vosso navegador de internet, dispositivo Android e iOS. Saibam mais aqui.

Esquecido, thriller publicado pela Cordel de Prata em 2018, está disponível pela loja online da editora, cujos primeiros exemplares podem vir autografados. Podem comprar aqui.

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