Stupid In Love – “Estúpida a Amar”

Boa noite 🙂 como estão?

Vai muito tempo, eu sei! A verdade é que entre escrever relatórios de estágio, e algo ficcional, pouco tempo fico para conseguir, após isso, ter inspiração.

Todavia, no mês passado algo que há¡ muito tempo fazer, acabou por se concretizar. Mas o que é isso? Pois bem… já te imaginaste a ouvir músicas e imaginar uma história? Quer fosse baseada na tua vida, quer fosse uma que ia surgindo à medida que a melodia invadia o teu ser? Tenho quase a certeza que sim! E tal como a mim acontece, decidi: porque não lançar as mãos ao teclado e ouvir mais de vinte vezes a mesma música e escrever uma história?

Foi isso que fiz, e hoje, mais de um mês após a sua escrita, vos apresenta a “Estúpida a Amar”. A história é  baseada na música da cantora de Barbados – Rihanna – Stupid In Love.

Claro que há quem possa não gostar da música/artista/género. Mas desafio a que experimentem. Carregar no play, e começar logo a ler. Fiz o teste, e a duração encaixa na perfeição Sintam a história. Deixem que a música adense a vossa imaginação à medida que a leiam. Acho que poderão gostar…

Stupid In Love

casa

Estúpida era o meu nome do meio.
A estúpida que eu era!
A estúpida que me permitia ser por outra pessoa. Por deixar tudo por um rapaz que de nada, tinha feito por mim. Que tudo o que me fizera, fora tirar vida.
Eu era assim. Sempre o fora! Nunca quis ouvir ninguém. Nem a Katy, a pessoa a quem posso chamar de melhor amiga por sempre, apesar de todas as vezes que ficara amuada por não gostar de ouvir a verdade, me ter dito que ele não valia nada. Mesmo quando o dizia após discussões sem fim.
As minhas mãos estão lívidas, tal é a força que agarro o volante. Estava capaz de o quebrar, mas para quebrado, já basta o meu coração.
Mas hoje seria diferente. Hoje iria mudar a minha essência. Iria mudar a minha vida.
– Olá! – disse-me, cabisbaixo, ao abrir-me a porta da sua casa. A casa onde tinha vivenciado tanto, onde tantas memórias espreitavam a cada esquina, era também a casa que, durante noites, atormentava o meu subconsciente.
– Deixa-me dizer-te uma coisa… Porque acho que nunca te apercebeste – comecei, com lágrimas a aflorarem-me os olhos. – Nunca, mas nunca, me dei tanto como dei a ti. Em toda a minha vida!
– Eu… Deixa-me..
– Nem tentes! – respondi, ficando até eu própria surpreendida com o azedume na minha voz. – Deixei o motor ligado. Só vim mesmo para te perguntar: o que farias se eu te desse uma segunda oportunidade para fazeres as coisas de outra maneira?
– Eu…
– Tão previsível. Claro que não sabes. Não só não sabes agora, como nunca soubeste. Nunca me conseguiste responder a esta pergunta, pois não? Custa-me admitir, mas a Katy tinha razão. Isto é um desperdício de tempo. TU és um desperdício de tempo! E só agora consigo percebê-lo…
– Desculpa… – tentou. – Nunca quis que aquilo acontecesse.
– “Aquilo” de beijares outra, ou de dizeres que estás sempre ocupado para mim?
– Eu estava bêbado e sabes que isso não é compl…
– Não consigo compreender! – respondi-lhe, com lágrimas a saírem em cascata. – É como se tivesses cometido um crime e não o admites. Tens sangue nas tuas mãos e, mesmo assim, insistes sistematicamente em contar-me mentiras. Eu não consigo perceber… E, sinceramente, estou cansada de o tentar fazer. Isto é tão estúpido…
– Tu não és estúpida – conseguiu dizer, trémulo, ainda com a mão no puxador.
– Pois não! E não tens o direito de me falar como se fosse estúpida! Posso ser muita coisa. Posso ser burra, em ter confiado em ti. Burra em ter pensado que me querias na tua vida, depois de todas as merdas que fizeste. Depois de nos termos ligado da maneira que foi. Mas não sou estúpida!
– A nossa primeira vez em nada significou? As vezes que choraste em mim. Que eu chorei em ti… Já não me amas?
– CLARO QUE TE AMO! Mas simplesmente não consigo mais fazer isto. Não tenho mais forças… Posso ter sido burra, mas deixei de ser estúpida.
– Mas somos tão felizes juntos! Até a Katy sabe isso. Ou o Marcos… Sim, ele sabe! – disse, esperançoso, substituindo o puxador da porta pela minha mão desprotegida.
– Estás a gozar certo? Sabes a quantidade de vezes que eles me chamaram de parva de cada vez que discutíamos ao telefone? De idiota? Da quantidade de vezes que me avisaram, para te deixar ir? Que “tu não eras o tal”?
Sentia cada célula do corpo explodir, e o meu coração mal aguentava no meu peito, mas já tinha começado. Não podia deixar isto a meio. Toda eu tremia. E não podia negar que a sua mão sobre a minha era como que um calmante natural. Mas esse calmante já perdera o seu efeito. Eu, simplesmente, não poderia lutar mais por alguém que, claramente, não o queria.
Pensei ver o seu potencial. Desde os seus olhos esverdeados, até ao seu sorriso encantador, sem esquecer a maneira como me tomava nos seus braços e embalava contra o seu peito largo. Mas foi isso que me deixou burra. Com se tivesse palas nos olhos que me permitissem ver só o que ele queria que eu visse.
– Eu não aguento, Rúben! Os teus esquemas e as tuas traições, matam-me…
– Mas e o tempo que passamos juntos? – perguntou, esperançoso, avançando até mim, fazendo-me olhar para si e os seus olhos profundos, escondidos atrás de uns óculos que só o deixavam ainda mais atraente.
– O tempo? Perdi-o. É o fim. Desculpa.
Ele, desesperado pelo meu discurso rápido e ríspido, de tamanha mágoa acumulada, rodeia-me a cintura e beija-me. E meu Deus, se mesmo com toda a dor que me infligiu, não sabe bem. Mas por mais que os seus beijos demonstrassem a ternura que me quer passar, já não consigo acreditar. Eu continuo a amar-te, Rúben, mas não posso fazer mais isto.
– Tentei que isto funcionasse. Mas tu, apesar de todas as oportunidades e discussões, continuas a agir como um cretino! Sou tão ingénua em sequer tentar continuar. A pensar que sou eu o problema. Não o sou!
Ele afasta-se, tentando desesperadamente prender-me com o seu olhar hipnotizante.
– As orelhas de burro caíram! Não te consegues aperceber do que perdeste, e só vais mesmo perceber quando me for…
– Por favor… eu vou melhorar! Por ti. Por nós!
– Não me queiras fazer mais idiota.
E, sem ser mais capaz de senti-lo perto de mim, viro-me e abro a porta do carro.
Ainda consigo sentir o seu olhar sobre o meu à medida que o fixo pelo espelho, mas está na altura de pensar em mim. No que quero para mim.
– Eu ainda te amo, Rúben, mas não consigo mais continuar com isto. Posso ter sido burra, mas não sou estúpida.

Comenta aqui

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.