“Bancada”

sofrimento
Estava felicíssimo. Estava radiante! Como se todos os meus problemas tivessem desvanecido. Mas então vi-te!
Vi-te abatida.
Vi-te caminhares até à bancada e apoiares o teu corpo fragilizado sobre os azulejos que quase podia jurar terem-se tornado vermelhos com tamanha dor.
As tuas pernas fraquejaram…, não aguentavam! Foi aí que apareci. Foi aí que te agarrei.
Rodei-te com os meus braços e juntei o teu corpo ao meu.
Olhaste para mim. Olhaste com medo do que eu iria pensar. Olhaste… Eu só sei que pela maneira como me olhaste, pensaste que te ia julgar. Que te ia apontar o dedo. Que não te ia compreender!
Depois da troca de olhares que, apesar de serem por meros segundos, me pareceram uma eternidade, aceitaste o meu corpo. O meu corpo que se juntou ao teu e fez aquilo que aquela bancada não conseguiu fazer: apoiar-te.
Tombaste a tua cabeça no meu ombro, e juntos, suportamos aquela dor. Juntos olhamos para os nossos reflexos no espelho.
Choraste.
Os nossos reflexos riam-se de nós. Foi tão cruel. Aquela piada estava a ser tão cruel!
Mas foi aí que arranjei coragem. Arranjei coragem no meio de toda aquela dor.
Olhei-te nos olhos manchados de terror. Com os meus dedos limpei as lágrimas reluzentes e, com um respirar… depois uma pausa… toquei nos teus lábios.
 

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