Ossos

E, como que uma resposta aos meus desejos, ouvi as rodas a raspar no asfalto em minha direção. Só tive tempo de olhar e ver que, quem conduzia, era alguém por quem não esperava… Afinal alguém tinha um grande ódio a mim – pensara.

O veículo embateu nas minhas pernas e, a última coisa que consegui captar foi alguém dizer o meu nome… ou talvez não… talvez tenha sido um desejo meu… Mas de uma coisa tinha a certeza, era a de que não estava a sonhar: senti o sangue jorrar da minha cabeça enquanto os meus olhos se fechavam, preparando-me para fitar o vazio enquanto sentia os meus ossos serem esmagados por dentro… um por um… uma dor que a mim, já nem me incomodava…. Agora só procurava o alívio. Talvez o meu destino fosse mesmo este… talvez…. Talvez o meu destino fosse mesmo acabar como um saco de ossos… Os meus olhos esverdeados fecharam-se para o mundo que conhecia.

– Diogo Simões

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